
Consultório de Finanças Pessoais, por Catarina Machado, educadora financeira (@literaciafinanceira.pt no Instagram).
Tenho algum dinheiro de parte, mas não sei onde devo guardar o fundo de emergência. Deixo no banco, ponho em certificados, ou há melhores opções?
Joana Ferreira
Antes de escolher um produto, ajuda perceber que nem todo o dinheiro tem o mesmo "papel". Há o dinheiro do dia a dia (para despesas do mês), há o dinheiro de curto prazo (fundo de emergência e objetivos próximos) e há o dinheiro de médio/longo prazo (que pode ser investido com mais risco). O erro mais comum é tratar tudo da mesma forma.
O fundo de emergência é a chamada "almofada financeira": dinheiro que existe para imprevistos (uma avaria no carro, uma despesa médica, um período de desemprego). Por isso, não deve estar investido em bolsa, porque pode ser preciso num momento desfavorável.
Quanto ter? As boas práticas apontam para entre seis e doze meses de despesas médias mensais. Algumas pessoas preferem calcular apenas as despesas "obrigatórias", por saberem que, numa fase difícil, conseguem reduzir gastos não essenciais. Mais importante do que o número exato é que este fundo exista e esteja acessível.
Ao guardar um fundo de emergência, as prioridades são as seguintes: segurança, liquidez (acesso rápido ao dinheiro) e baixo risco. Se, além disso, ainda render alguma coisa, melhor. Mas isso é secundário face à tranquilidade financeira. Ainda assim, vale a pena ter em mente um ponto simples: se o dinheiro render menos do que a inflação, perde poder de compra ao longo do tempo. Ou seja, mesmo "guardado", passa a comprar menos.
Na prática, as opções mais comuns passam por produtos de baixo risco, como certificados de aforro (tendo em conta que novas subscrições/reforços não podem ser resgatadas nos primeiros 3 meses), depósitos a prazo ou contas remuneradas (confirmando sempre se permitem mobilização antecipada), ou soluções equivalentes de baixo risco que garantam acesso rápido ao capital.
O essencial é simples: o fundo de emergência não serve para "render muito". Serve para garantir que, quando a vida acontece, não precisamos de nos endividar ou vender investimentos em mau momento.
*A NM tem um espaço para questões dos leitores nas áreas de Direito, jardinagem, Saúde, finanças pessoais, sustentabilidade e sexualidade. As perguntas para o Consultório devem ser enviadas para o email magazine@noticiasmagazine.pt
