
Projeto pioneiro que envolve a Universidade de Aveiro, o Hospital Veterinário de S. Bento e a Composites Kingdom está a decorrer até 2027.
A Universidade de Aveiro (UA), o Hospital Veterinário de S. Bento e a Composites Kingdom (CK) estão a desenvolver a primeira geração de próteses inteligentes para animais de companhia. O projeto, pioneiro a nível mundial, ambiciona dar mais qualidade de vida a cães e gatos e criar um produto que possa ser escalado. Espera-se que o conhecimento obtido possa ser depois aproveitado para a Medicina Humana.
As próteses biónicas que estão a ser desenvolvidas no âmbito do projeto PetBionic vão ter materiais biocompatíveis na parte que fica em contacto com o osso (titânio revestido por biovidro), para que a osteointegração seja feita da forma mais "rápida e segura possível", explica Manuel Pedro Graça, que lidera a equipa de investigadores do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação e do Departamento de Física da UA. Pretende-se que os revestimentos sejam multifuncionais, isto é, sejam osteointegradores (potenciam e aceleram o processo de ligação ao osso), terapêuticos e com ação antibacteriana (para reduzir o risco de infeções).
As próteses terão sensores, que permitirão monitorizar parâmetros biométricos como a estabilidade do implante e densidade óssea, ligados a inteligência artificial, para análise dos dados. As informações permitirão ajustar as próteses para evitar rejeição, melhorar a mobilidade e conforto do animal, perceber se há algo a corrigir no dispositivo ou até se é preciso substituí-lo, por este ter atingido o seu tempo de vida útil.
A contribuição da UA será na área da engenharia de materiais e física, enquanto a CK traz para a mesa o seu conhecimento em materiais compósitos e fabricação aditiva, fundamental para otimizar o peso e a resistência dos implantes. O hospital (líder do consórcio), com a sua experiência médica e cirúrgica, irá assegurar que as próteses atendem às necessidades clínicas reais.
Neste momento, os "materiais para revestimento estão desenvolvidos e o design das próteses está a ser ultimado", seguindo-se depois a "produção e testes laboratoriais", conta Manuel Pedro Graça. Na fase final, as próteses serão testadas em casos clínicos.
O projeto arrancou há um ano e vai decorrer até ao final de 2027. É apoiado pelo Compete 2030 e pelo Programa Regional de Lisboa, tendo recebido um apoio de 1,055 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
