"Quando percebi que não precisava de passar a minha vida nos Estados Unidos"

Reinaldo Rodrigues
Richard Zimler, escritor, jornalista e professor, recorda, aos 70 anos, a primeira vez que percebeu que não tinha de viver nos EUA.
"Em 1977, fui aceite num programa musical de verão para músicos universitários, organizado pela Escola de Artes da Carolina do Norte. O programa levou-me, juntamente com outros cinco guitarristas clássicos, a Itália, onde demos concertos em aldeias e vilas durante seis semanas. Também nos acompanharam uma orquestra completa e cantores de ópera. O nosso primeiro destino foi Assis. O tempo que passei lá, assim como as semanas que passámos depois em Siena e Florença, mudou a minha vida. Enquanto caminhava por Assis, admirando as casas medievais, tentando conversar em italiano com os lojistas, uma porta abriu-se na minha mente. E, quando a atravessei, percebi que poderia viver fora dos Estados Unidos e que me tinha apaixonado por Itália - pelas pessoas e a sua língua, pelas vilas no topo das colinas, pelos museus e igrejas...Terminado o programa musical, viajei pela Europa durante mais dois meses e depois regressei a São Francisco. Pouco tempo depois, entrei num café perto do meu apartamento e vi um homem bonito sentado numa das mesas: Alexandre Quintanilha. Ele e eu vivemos juntos há 47 anos. Não, nunca cheguei a viver em Itália, mas consegui chegar à Europa. E construímos uma boa vida para nós no Porto. Por isso, acho que é justo dizer que três amores mudaram a minha vida - a Itália, Portugal e, acima de tudo, o Alexandre."
