
Produtos de beleza coreanos batem recordes de venda no mundo
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A beleza coreana transformou a rotina em ritual, deu voz ao autocuidado, apostou na prevenção, trouxe tecnologia e inovação a preços médios e tomou conta do mundo através das redes sociais, o mercado online e os produtos culturais K-Pop.
Quando a cultura pop se junta aos ingredientes mais naturais, à tecnologia, ao preço possível e a um mercado de venda online estão lançados os princípios ativos para um negócio... em beleza. A skincare (produtos de cuidado de pele) coreana está em toda a parte. A nova febre - que já tinha dado um ar da sua graça na pandemia - chegou agora com força nas redes sociais e transformou o universo da beleza coreano numa das indústrias que mais crescem ao ano, no mundo.
Empurrado pelas músicas e bandas K-Pop, influenciadoras e pelos filmes temáticos, cujo exemplo mais recente é Guerreiras do K-Pop, o ritual coreano tem vindo a penetrar a camada dos países ocidentais. "O sucesso ocorrre devido a uma combinação de fatores como resultados visíveis, em que a pele fica mais hidratada, luminosa e homogénea - o que se tornou num padrão de beleza global -, cultura do autocuidado, marketing digital, impacto mundial da cultura coreana e personalização, com linhas adaptadas a vários tipos de pele e climas", analisa a dermatolgista Alexandra Osório.
Elementos que se somam ao uso de"ingredientes naturais e funcionais com recurso a extratos botânicos e fermentados como baba de caracol, centella asiática, própolis e, entre outros, ginseng", analisa a médica.
Dermatologista Alexandra Osório (Foto: DR)
A maquilhadora Veronica Pose conta que os primeiros contactos que teve com este tipo de produtos foi há mais de década e meia. "Lembro-me de ter feito ações de apresentações dos produtos de skincare coreanos há 15 anos. Depois veio a pandemia e trouxe os cuidados de pele mais ritualizados com este tipo de produtos, agora assistimos a um novo boom, que chega através dos filmes, da música e do K-Pop".
O êxito, considera, radica, não só, mas também, numa nova forma de olhar a beleza. "Nós tínhamos o hábito de reagir aos problemas e esta skincare trabalha na prevenção, no antienvelhecimento, com ingredientes que a nossa própria pele tendencialmente já produz, são mais calmantes, têm menos ácidos e menos fragrâncias externas". Refere que são, aliás,, muitas vezes soluções aplicadas no universo da beleza oncológica, área na qual a maquilhadora faz formação.
Maquilhadora Veronica Pose (Foto: DR)
A juntar aos ingredientes, soma-se toda uma nova forma de encarar a vida. A skincare coreana não é uma rotina é um ritual", sintetiza Veronica Pose, lembrando que exige mais cuidados, mais fases, mais tipos de produtos", sendo o tratamento ideal capaz de consumir "dez a quinze minutos de manhã e à noite".
E se estamos diante de autocuidado, pode ser também sinal de perigo. Evocando um "protocolo superextenso - com sete a dez camadas -", Alexandra Osório alerta que pode, pelo contrário , "dar origem a desequilíbrios cutâneos". "Já vi muitas adolescentes virem com dermatite, eczema e acne decorrentes dessa skincare exagerada e inadequada com limpeza dupla, essência, séruns". Porém, a médica salvaguarda também que "os produtos coreanos, baseados na investigação forte com ingredientes novos e inovadores e com texturas agradáveis, conseguem curar alguns problemas de saúde cutânea, nomeadamente inflamações como rosácea ou dermatites".
Entre os benefícios, a especialista da clínica Dermage enumera "a hidratação profunda e duradoura, a textura leve e de boa absorção, a redução de sensibilidade e vermelhidão, a versatilidade e acessibilidade no preço". Do lado negro da beleza, Alexandra Osório coloca o risco de "alergias ou irritações, camadas excessivas e diferenças de clima, com produtos muito oclusivos ou ricos que podem ser desconfortáveis em regiões tropicais".
Entre prós e contras, a tendência está em imparável ascensão no mercado global que cresce a dois dígitos ao ano, com centenas de marcas a tomarem de assalto as redes sociais, as compras online e até lojas físicas . O Ministério da Segurança Alimentar e do Medicamento estimou, em janeiro deste ano à imprensa coreana, que as exportações aumentaram 12.3% em 2025, totalizando 11,4 mil milhões de dólares (quase dez mil milhões de euros), batendo todos os recordes. Com exportações para 202 territórios, mais 30 do que em 2024, Estados Unidos lideram a procura, com a Europa, Médio Oriente e América Latina a espessarem estes números.
Ao detalhe, a maior fatia de exportação recaiu sobre os produtos de cuidados de pele, seguido do segmento de maquilhagem e soluções de limpeza de pele. Os perfumes, mais abaixo, registam a maior subida, na ordem dos 46,2% de aumento. Por cá, não há dados nacionais, mas o lançamento de novas marcas, produtos e até rituais de beleza que se somam ao bem-estar e que chegam do outro lado do mundo acontece quase numa base mensal, procurando responder à procura.

