
Nos últimos dez anos, houve uma clara alteração da tendência de maternidades em Portugal.
Cinco vezes mais
Numa década, o número de mães imigrantes que tiveram filhos em Portugal multiplicou-se por cinco. Em sentido contrário, os partos de mulheres portuguesas caíram significativamente. Os dados do Ministério da Justiça refletem não só o movimento migratório que o país viveu nos últimos anos, mas também o adiamento da decisão de ter filhos pelos casais portugueses.
25 083
É o número de mulheres estrangeiras a viver em Portugal que deram à luz em 2025. Há dez anos, foram apenas 4591. Já as cidadãs de origem nacional que tiveram filhos passaram de 81 524 para 64 079.
"Os casais portugueses adiam para cada vez mais tarde a decisão de serem pais devido a fatores como a instabilidade laboral, os baixos salários ou os altos custos da habitação"
Paulo Nuno Nossa
Professor na Universidade de Coimbra
O ano da viragem
O ponto de viragem foi o ano de 2022, na ressaca da pandemia. Até então, o fenómeno tinha sido gradual, mas a partir desse ano os partos de mulheres portuguesas reduziram-se acentuadamente, enquanto os das imigrantes dispararam. Se olharmos para o mapa, e segundo um estudo da Pordata, o Baixo Alentejo é a região do país com mais filhos por mulher em idade fértil (1,73), enquanto o Alto Tâmega e Barroso está no extremo oposto, com 1,02.
1,4
Filhos por mulher é a média de fecundidade em Portugal. Temos uma das taxas mais baixas da UE

