
Cidadãos, instituições e poderes públicos convocados para procurarem respostas para os problemas dos seus territórios.
Diversas organizações portuguesas e espanholas uniram-se para criar uma Rede Ibérica de Laboratórios de Cultura Comunitária e Ruralidades, uma iniciativa que pretende impulsionar a criação de 25 laboratórios nos dois países. O objetivo é que funcionem como espaços de encontro, experimentação e cooperação entre cidadãos, instituições e poderes públicos locais para, em conjunto, procurarem soluções que fortaleçam a vida comunitária, particularmente em zonas rurais. Espera-se que os projetos possam depois ganhar vida própria e continuem a dinamizar os territórios.
A iniciativa - que envolve La Ortiga Colectiva, La Ponte Ecomuseo, El Cinorrio, GRIGRI e o Programa de Extensión Universitaria da Universidade Jaume I, de Espanha, e a Universidade de Aveiro, Rede de Bibliotecas de Lisboa, A-GRUPA e Planeta Alecrim Associação, do lado português - decorre de uma experiência anterior do Medialab Prado, em Madrid, e conta com apoio financeiro do Ministério da Cultura espanhol.
As convocatórias para criar 25 laboratórios (15 dos quais em zonas com menos de 5 mil habitantes) já foram abertas e estão a ter "um grande impacto", sendo que a "expectativa é que haja seis a oito laboratórios em Portugal", adianta José Carlos Mota, docente da Universidade de Aveiro. Podem concorrer tanto pessoas individuais como empresas, associações, fundações e entidades públicas.
Os envolvidos nestes laboratórios, a funcionar até setembro, irão beneficiar de "ações de capacitação" e deverão colaborar entre si para trocar conhecimento. A expectativa é que depois os projetos "ganhem vida própria, que tenham algum tipo de continuidade", refere José Carlos Mota.
O "objetivo é dar o pontapé de saída para criar esta cultura de projetos para responder a problemas do quotidiano", acrescenta o docente. Entre os eixos temáticos definidos estão, por exemplo, o património, catástrofes e restauração ecológica em áreas de incêndios ou cheias, agroecologia e a economia circular, mas os grupos poderão atuar nos mais diversos assuntos.
Há diversos problemas, como os ligados à "desertificação, envelhecimento, alterações climáticas", que "não têm resposta óbvia, porque implicam mobilizar vários saberes". "São áreas onde os cidadãos são, em simultâneo, beneficiários e protagonistas da mudança. São eles que muitas vezes sofrem os problemas na pele, mas também são eles muitas vezes que têm uma noção do tipo de resposta que poderia ser dada", daí a necessidade de envolvimento de agentes dos mais variados quadrantes, para se experimentarem "respostas diferentes", defende José Carlos Mota.
