
Na juventude marcava ensaios com amigos em casa dos pais às cinco da tarde. A ideia não era tocar bem, era inventar e gravar. Começou com guitarra clássica, seguiram-se outros instrumentos, um pequeno órgão, o piano do liceu. E as bandas nasceram, Sétima Legião, Madredeus. Depois, o caminho a solo, discos em nome próprio, músicas para cinema e teatro. Neste domingo, está no Coliseu do Porto com "O rapaz da montanha", o seu disco mais português.
À primeira escuta, ao primeiro ouvido, ninguém diria que as canções lhe saem do turbilhão e do caos que vivem dentro de si. A sua música transmite calma e leveza. O processo criativo é intuitivo, orgânico, sempre foi. "A minha maneira de tentar encontrar ideias e de compor é muito espontânea, muito natural." Por vezes, passa horas e nada sai, outras, num repente, surge-lhe substância para trabalhar que guarda no computador ou no telemóvel. Não há fórmula certa, cadenciada, repetida. É criação, é inspiração.
