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Aleixo: como é viver no bairro que condenaram à extinção

Aleixo: como é viver no bairro que condenaram à extinção

É um cúmulo de problemas, uma overdose de perguntas: quando saem os 270 moradores do bairro social do Aleixo, no Porto? E para onde vão? E as três torres que restam, vai haver demolição? E o Fundo Imobiliário, por que não entrega as dezenas de casas que tem de entregar? E os junkies sem-abrigo, para onde é que eles vão? A única pergunta a que todos sabem responder ali é esta: e no Aleixo, há droga?

São os últimos habitantes e ali são todos feitos da mesma substância, carne, osso e ansiedade. Manuel Duarte e a mulher Maria Cândida, ele tem 67, ela 63 e em 2005 atroou-se num AVC, sobem juntos para o 13.º andar da sua casa na Torre 3 e vão demorar 15 minutos a subir porque a Maria Cândida demora mais do que os demais. O elevador avariou. Outra vez. Isto é um dia normal.

Joaquim Ferreira, 70 anos, Torre 2, 12.º andar, mora com a mulher Fernanda e um terrier chamado Torrete. Há três meses a polícia deitou-lhe a porta abaixo, a polícia dos peitos de plástico, assim, subitamente um susto estampido muito alto na manhãzinha, a farejar sabe ele o quê. "Vieram à droga, pois, nada, não havia nada, claro, pediram muita desculpa, paraquedistas, brutos". E a porta ficou abananada da entrada e ele é que teve de a compor. E também foi um dia normal.