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Quando ensinar dói

Uns ficaram com as feridas cravadas no corpo. Marcas de dentes, pisaduras, cabelos arrancados. Outros trazem-nas guardadas na alma e não sabem como livrar-se delas. Histórias de professores agredidos no exercício da profissão. Por alunos e por pais. Relatos de quem vive com um trauma impossível de curar.

É como um filme de terror a passar em loop. Ele a dar aula, os gritos a aproximarem-se da porta, a senhora esbaforida, aos berros, um chorrilho de insultos, uma funcionária a meter-se no meio, mais insultos, insultos do piorio. "Filho da puta, cabrão de merda, não sujo as minhas mãos em merda como você."

Minutos feitos eternidade, o pânico a apoderar-se dele, tudo a olhar, as mãos a tremer, incontroláveis, os alunos "horrorizados". Foi há dois anos. Para Sandro Gonçalves, 47 anos, professor há 25, é sempre como se fosse ontem. "Lembro-me perfeitamente de pensar: "Eu preciso deste trabalho. Esta mulher não me vai tirar este trabalho.""

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