Opinião

Integrar para preparar o verão no inverno

Integrar para preparar o verão no inverno

Na segunda-feira, teve lugar em Guimarães uma reunião sobre prevenção de fogos rurais na Região Norte. Na acolhedora sala do Teatro Jordão, estiveram os responsáveis das instituições públicas com responsabilidades neste processo, nomeadamente: o(a)s ministro(a)s da Administração Interna, Agricultura e Alimentação e da Coesão Territorial, o comandante geral da GNR, os presidentes do ICNF (que também representava o ministro do Ambiente), da ANEPC, da AGIF, presidentes ou vereadores da quase totalidade dos municípios nortenhos e os secretários executivos das entidades intermunicipais, bem como toda a presidência da CCDR-Norte.

Numa reunião muito participada e com intervenções muito ricas, que decorreu sob o lema "preparar o verão no inverno", ficou evidente o importante caminho que está a ser feito; o elevado nível de conhecimento e de preparação que todos os intervenientes têm sobre o assunto; e a sua incontornabilidade enquanto um dos principais desafios da sociedade portuguesa. No entanto, também ficou patente que a interação e cooperação entre estes atores têm de ser as palavras de ordem e prática efetiva; que há especificidades territoriais muito particulares a exigirem flexibilidade regulamentar em diferentes planos de ação regionais, sub-regionais ou municipais; e que os municípios, "per se" ou organizados em entidades intermunicipais, são os agentes essenciais deste processo de prevenção. É nos territórios concretos que os incêndios ocorrem, bem como onde estão as pessoas e os bens que por eles são afetados. São esses mesmos territórios agroflorestais que têm de ser cuidados de forma preventiva e ativa.

De facto, esta é uma temática exemplar da necessidade de abordagens integradas que os grandes desafios de hoje requerem. A pragmática abordagem de engenharia, da segmentação em problemas resolúveis de menor dimensão, muitas vezes geridos por entidades especializadas, também não deixa de ser incontornável, mas deve ser acompanhada por modelos de integração adequados, necessariamente à escala regional.

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Importa ter presente que o flagelo dos incêndios, embora potenciado e amplificado pelas alterações climáticas, é uma consequência da perda de população nos espaços rurais e da sua consequente viabilidade. Por isso, políticas que permitam a fixação de pessoas, com condições condignas de vida, e de atividades nesses territórios são parte desta equação e devem ser consideradas como estratégias para proteger uma paisagem agrária que nos habituamos a apreciar e a fruir, como património natural que, afinal, foi construído pelas pessoas, i.e., por essa espécie que também importa proteger nesses habitats - os humanos.

*Presidente da CCDR-N

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