Opinião

A Europa e a coesão

A campanha para as eleições europeias tem estado afastada dos problemas reais da Europa e das pessoas. Perde-se assim uma oportunidade para debater propostas que contribuam para inverter as assimetrias na Europa e entre as regiões, bem como de avaliar o impacto dos fundos europeus na coesão territorial. Não parece ser algo que interesse aos partidos políticos.

Por exemplo, a agenda mediática rapidamente conduziu a discussão do Plano de Investimentos 2030 ao esquecimento. Mantendo a mesma linha orientadora do passado e privilegiando as acessibilidades aos grandes centros urbanos, o plano prevê poucos investimentos para o Norte. Mais uma vez, poucas são as vozes que contrariam a narrativa centralista deste plano e da política atual.

Parece que o país rapidamente esqueceu as calamidades de 2017. A visão do plano de investimentos incide na lógica das acessibilidades dos principais centros urbanos, inclinando cada vez mais o país.

É uma visão contrária à da Europa, que defende um modelo de desenvolvimento baseado no conhecimento e na criação de ecossistemas de inovação territorial. Portugal devia acompanhar esta trajetória europeia.

A história dos fundos estruturais mostra que não potenciaram a convergência de investigação e inovação entre as regiões, concentrando-se nos grandes centros urbanos. É crucial uma lógica regional mais inclusiva de aplicação dos fundos, uma trajetória que ainda pode ser iniciada no atual quadro comunitário.

A coesão territorial não pode ser um tema de retórica. Espera-se que no atual período de reprogramação seja dado um sinal que conduza à convergência em investigação e inovação.

Haja visão e vontade política.

*Reitor da UTAD