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Opinião

Nada pode ficar igual

O país defronta-se com uma das mais severas e prolongadas secas da nossa história, após um período de cinco anos consecutivos de precipitação abaixo da média. A comunicação social tem vindo a noticiar casos problemáticos de territórios do interior que necessitam de ser abastecidos, contudo, as secas ainda não chegaram às torneiras das nossas casas ou às prateleiras de supermercado. Mesmo os aumentos recentes da energia e dos preços dos alimentos têm vindo a ser associados à invasão da Ucrânia pela Rússia e à crise pandémica.

A seca é um problema de quem se dedica à agricultura e com forte impacto nos fogos florestais que assolaram o país neste verão. No entanto, face ao cenário atual de seca, vamo-nos deparar com uma nova normalidade.

As principais fontes de água provêm da chuva que tem vindo a ser menor nos últimos anos, dos países a montante que, no caso de Portugal, também tem diminuído; basta ver os caudais do Tejo e do Douro, que têm vindo a ser mais reduzidos.

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Dito isto, importa perspetivar fontes alternativas de água e novas soluções tecnológicas, passando por diminuir as perdas que se registam ao nível do abastecimento e pelo reaproveitamento de águas residuais e a dessalinização de água do mar. Importa olhar para as práticas seguidas em países com menores índices de precipitação por habitante, mas com maiores níveis de desenvolvimento, casos de Israel, de Singapura e da própria Holanda.

Atendendo ao cenário de seca severa a que assistimos, nada poderá ficar igual. O futuro exige mudanças nas nossas rotinas e nos próprios hábitos do quotidiano no consumo de água, mas também por implementar novas soluções tecnológicas que exigem maior investimento em ciência.

*Docente universitário

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