Opinião

A guerra do gás

A verdadeira guerra de Putin contra o Ocidente já se havia iniciado há alguns meses com a chantagem dos cortes de petróleo e gás através dos gasodutos que ligam a Rússia à Europa. Esta semana, esse conflito agravou-se quando a Gazprom, a empresa energética controlada pelo Kremlin, decidiu por uma suspensão sem data de fornecimento de gás através do gasoduto Nord Stream I, afetando principalmente a Alemanha. Esta medida chegou poucas horas depois de os ministros das Finanças do G7 reafirmarem a intenção de impor um teto ao preço do crude russo. Não há muita margem de dúvida que o gesto da Gazprom é de caráter político e representa um novo passo na escalada de confrontação com o Ocidente. Está claro que o objetivo de Putin é exacerbar as turbulências que afetam as economias da Europa, incluindo Portugal, no sentido de quebrar a determinação no apoio à Ucrânia.

Com estes desenvolvimentos, muito provavelmente, as medidas que António Costa irá hoje anunciar para apoiar as famílias e empresas poderão não ser suficientes. O galope para um cenário de mais uma alta de preços do gás e do petróleo no início do outono é real, apesar de, nos últimos meses, a Europa se ter apetrechado de reservas consideráveis. Mas não suficientes para enfrentar o inverno sem a energia russa. Este é um braço de ferro que Putin não pode ganhar, por muito dano que faça aos europeus. É que, em Moscovo, está-se a voltar à era soviética, não só nas ambições expansionistas de Putin, mas também no colapso da economia: alimentos a faltarem nas prateleiras dos supermercados ou a falha de matérias-primas para produzir umas simples calças. Os russos, que nos últimos 30 anos, se habituaram a um estilo de vida de abundância e de consumo, podem não estar disponíveis para apertos em nome da pátria. Só um Putin com mão de ferro os poderá controlar.

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*Editor-executivo

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