Opinião

Combater o "glutão"

Christine Lagarde avisou e aí está. Para travar a inflação, o Banco Central Europeu vai subir a taxa diretora em 25 pontos base na reunião de julho, mês no qual termina a compra de ativos. Dito assim, para o comum dos cidadãos, parece mais uma decisão que em nada vai influenciar o nosso dia a dia. Mas não. À partida, parar a subida dos preços é sempre bom para todos. E se os planos do BCE estiverem corretos, voltaremos a ter uma inflação de 2% em março de 2024 contra os atuais 6,8% previstos para o final deste ano. Quer isto dizer que os combustíveis, a eletricidade ou as matérias-primas vão baixar de preço? E por consequência tudo que está associado a estes três vetores? Não. Os preços não voltam atrás, apenas abrandam. Por isso, esperam-se tempos difíceis, principalmente se os salários não acompanharem o "glutão" das notas e moedas.

Confirmado que estão os 8% de inflação no mês passado, a primeira conclusão a tirar é que foi um balde de água fria para Portugal, porque todas as medidas para travar os preços da energia não tiveram o efeito desejado. Ou se o tiveram, então a inflação apresentaria valores estratosféricos. Adicionalmente, a escalada de preços da energia acelerou toda a cadeia. Apesar de se tratar de uma situação sem precedentes na história do Portugal pós-CEE, os organismos internacionais consideram que é uma situação transitória, como António Costa tem insistido cada vez que o assunto é inflação. O que não quer dizer que nestes próximos meses a situação não se agudize. Perante este agravamento, o BCE tem a difícil tarefa de controlar os preços sem prejudicar a recuperação económica pós-pandémica.

Pelo que se vê, a baixa do ISP nos combustíveis foi absorvido pelo mercado, afetando novamente os preços dos transportes e, com eles, todos os bens e serviços. Após esta experiência, é preciso rever a estratégia. O mal-estar dos trabalhadores e dos consumidores não deixará de crescer ao ver o seu poder de compra bastante diminuído e sem fim à vista no curto prazo.

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Claro está que, com a subida das taxas de juro diretoras do BCE e a retirada de dinheiro do mercado, haverá um inexorável aumento do valor mensal dos créditos à habitação e menos massa monetária a circular. É esse o remédio de Lagarde.

*Editor-executivo

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