Opinião

Filas da fome

Três crises seguidas, sem tempo e sem meios para nos recuperarmos, e uma inflação galopante que aumentou o preço de todos os bens com os salários a não acompanharem estão a fazer estragos em toda a população, principalmente a mais pobre e desprotegida. As instituições de solidariedade social alertam para as "filas da fome" que num lugar ou outro vão aparecendo, principalmente nos grandes centros urbanos. É bom que não passemos indiferentes a estas "filas da fome", porque o que aí vem pode ser bem pior com os temores de que a guerra da Ucrânia conduza a uma situação insustentável.

As parcas medidas de proteção social do Governo e uma alta taxa de emprego não impedem que as organizações humanitárias como a Cáritas, o Banco Alimentar ou a Cruz Vermelha estejam com dificuldades para atender a todos os pedidos de ajuda que lhes chegam, com a preocupação de que não param de crescer. E foi neste ambiente que o Governo decidiu reduzir o número de beneficiários do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas de 120 para 90 mil, justificando com a evolução favorável da situação epidemiológica no país e a progressiva normalidade em geral, sem ter em conta o que está a acontecer. Os últimos dados do Eurostat revelam que o risco de pobreza e exclusão social está a aumentar em Portugal, sendo o oitavo entre os piores e o que mais se afundou nas condições de vida. Ou seja, temos, agora, 2,3 milhões de pobres.

António Costa está a trocar as "contas certas" pela degradação da vida dos portugueses. Mas o que adianta termos as contas certas quando estivermos todos "mortos"? Faz lembrar a metáfora do burro: o moleiro achou que ganharia mais dinheiro se desse menos alimento ao jerico. Achou, por isso, conveniente habituá-lo a comer menos. Todos os dias lhe ia diminuindo à ração, embora o trabalho continuasse a ser o mesmo, até que morreu. Não é na abundância económica que a população necessita mais do Estado, é quando as crises acontecem. E mais pornográfico é quando o Estado está a ganhar com a crise, através de um aumento das receitas dos impostos.

PUB

Editor-executivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG