Com o aproximar da época natalícia, a CP vai enfrentar uma procura pelos comboios para a qual não está preparada nem estará nos próximos meses.
É evidente que este descalabro nas linhas - em que o risco de acidentes aumentou 85% no espaço de cinco anos - e a falta de investimento em novos comboios e carruagens são fruto de más escolhas de investimento público, pelo menos, nas duas últimas décadas.
Os vários governos decidiram apostar na construção de estradas - e mesmo estas - apenas as grandes vias de ligação, porque, como se viu em Borba, a maioria das antigas estradas nacionais passaram para as competências dos municípios sem a devida verba de conservação. Foi dada a prioridade absoluta ao transporte privado em vez do transporte público e, pelo meio de uma crise, as empresas públicas, principalmente a CP, viram a sua situação deteriorar-se ainda mais.
Enquanto o Governo de Sócrates queria fazer uma terceira autoestrada entre Condeixa e Coimbra, uma terceira ponte sobre o Tejo, onde passaria o futuro TGV e, ao mesmo tempo, um segundo aeroporto em Alcochete, as principais vias ferroviárias do país, incluindo as urbanas de Lisboa e do Porto, vinham definhando há vários anos. Chegados a este ponto, e após três anos de legislatura do atual Governo - comemorados praticamente desde sexta-feira -, é manifestamente pouco o que o Executivo fez até ao momento num setor onde prometeu investir mais de dois mil milhões de euros.
Assim, Pedro Marques teve de se contentar com a "inauguração" da eletrificação de um troço de 10 quilómetros entre Nine e Barcelos, faltando ainda 30 quilómetros para ligar a Viana do Castelo. Esta empreitada da linha do Minho deveria estar terminada em março deste ano. Há atrasos nas obras das infraestruturas e só uma pequena parte está em execução. O mais provável é que o plano Ferrovia 2020 não seja bem 2020...
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