Opinião

Jovens com bolsos rotos

Jovens com bolsos rotos

A crise financeira de 2008, a crise da dívida pública entre 2010 e 2014, a pandemia de covid em 2020 e agora a guerra na Ucrânia estão a dar cabo de uma geração que encontra no mercado de trabalho parcos empregos e ainda mais parcos salários.

Que contas faz um jovem que recebe, em média, 817,67€ mensais? E estamos a falar em médias, porque há quem receba muito menos. Esse jovem tem de pagar renda de casa ou empréstimo à habitação, contas domésticas, alimentação e transportes e ainda ter algum dinheiro para gastar em cultura, saídas à noite e conseguir juntar alguma poupança. Claro está que tal não é possível. Parece que os bolsos estão rotos.

A única forma de conseguir enfrentar a gestão pessoal é a ajuda dos pais ou dos avós, e só para aqueles que a têm. Em Portugal, nunca conheceram intervalos de real prosperidade e são os mais castigados no mercado de trabalho. Se não é a recessão económica é a pandemia, se não é a pandemia são os efeitos da guerra na Europa.

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Portugal estava menos bem preparado do que outros países europeus para resistir a quatro golpes consecutivos que quebraram completamente as expectativas dos jovens, os seus planos de futuro ou algo tão elementar como a confiança na própria capacidade para melhorar a sua vida. Com a pandemia, segundo o INE, a taxa de pobreza subiu para 18,4%, sendo que este agravamento foi o maior registado nas últimas duas décadas num único ano.

Após os confinamentos, muitos jovens deixaram de trabalhar. A taxa de desemprego jovem continua bastante agravada, a atingir 23,4%. Perante os salários baixos, a única hipótese dos jovens é continuar a viver em casa dos pais. Portugal é um dos países da União Europeia em que, em média, os filhos saem mais tarde de casa, ou seja aos 30 anos.

A habitação continua a ser um problema crónico que abafa a autonomia dos jovens e reduz a sua independência. Provavelmente, a infância dos jovens atuais terá sido melhor que a dos seus pais, mas os obstáculos criados ao longo destes anos vão refletir-se no empobrecimento material e intelectual. É nisso que qualquer partido político deveria pensar seriamente. Não só pensar, agir.

Editor-executivo

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