Opinião

Ondas de calor mortais

Ondas de calor mortais

Na crise pandémica aprendemos, com custos elevados, a proteger as pessoas mais vulneráveis, não só porque era um imperativo moral, mas também a forma mais eficaz de evitar mortes e lutar contra os estragos que a covid provocou. O que era evidente numa situação tão excecional como a pandemia, não o está a ser em relação às ondas de calor que assolam o país. Mas o desafio é exatamente o mesmo.

As temperaturas extremas de mais de 40°C, e até de 46°C em algumas regiões, converteram-se num grave fator de risco para a saúde e para as vidas das pessoas. Há que ter a noção de que as ondas de calor não atingem por igual toda a população. Com os atuais preços da eletricidade, o ar condicionado em casa é um luxo a que numerosas famílias não se podem permitir. Perante isto, compete ao Estado identificar quem está em risco e tomar medidas para proteger a saúde das pessoas mais vulneráveis.

Há duas semanas, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, alertou que o excesso de mortalidade vai continuar a aumentar com a continuação do tempo quente. Os dados da instituição diziam então que, entre 7 e 18 de julho, houve mais 1063 óbitos. Algumas destas mortes estão diretamente ligadas a golpes de calor, mas a maior parte corresponde a mortes silenciosas por desidratação ou por descompensação de patologias de base e cujas vítimas nem sequer tiveram consciência do perigo em que se encontravam.

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Claro está que a população de maior risco são os idosos que vivem sozinhos e que padecem de doenças crónicas, como dificuldades respiratórias, cardiovasculares, diabetes ou insuficiência renal. Estamos a meio do verão, com muitos funcionários do Estado de férias, mas que sirva de exemplo para o que está a acontecer e, pelo menos, no próximo ano, se tomem medidas preventivas e coordenadas dos serviços sociais e dos cuidados primários de saúde. O novo padrão climático (concordo que é difícil de identificar) obriga a rever todos os protocolos de proteção ou dispositivos de emergência. Não custa nada direcionar uma pequena parte do orçamento da Proteção Civil para estas questões da canícula. É o mínimo.

*Editor-executivo

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