Opinião

Pandemia económica

O mercado laboral está a sofrer um sério revés desde o início do ano. Os dados indicam que, depois da evolução relativamente favorável em 2020, a taxa de desemprego em Portugal está a destoar pela negativa no conjunto dos países da Zona Euro no arranque de 2021, tendo mesmo sofrido o agravamento mais acentuado em janeiro entre todos os países da região.

Segundo o Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal avançou de 6,8% em dezembro para 7,2% em janeiro. Apesar desta deterioração, Portugal conseguiu uma evolução muito mais favorável na taxa de desemprego no conjunto do ano passado. Claro está que esta situação está "mascarada" por um desemprego subestimado, devido aos apoios concedidos às empresas e trabalhadores. A verdade é que, perante os números mais recentes, o mercado laboral mostra sintomas de que estes apoios podem ser altamente insuficientes, receando-se uma escalada enorme do desemprego quando voltarmos à nova normalidade. A terceira vaga da pandemia atingiu-nos muito mais do que a segunda e isso terá consequências enormes na recuperação económica. As restrições à mobilidade, a bem da saúde dos portugueses, tiveram um efeito perverso e um duro golpe no tecido produtivo. Após um ano de resistência, o sofrimento das empresas e famílias mais expostas está a ser levado ao extremo. Cada vez são mais as lojas, hotéis e restaurantes que terão muitas dificuldades em voltar a abrir as portas.

Perante este cenário, fica claro que o Governo deve intensificar os apoios, não só para defender os postos de trabalho, mas também para estimular o consumo interno. Para isso, há que dar um forte apoio ao setor privado - como está a ser feito pelo resto da Europa -, mesmo para empresas em falência devido à pandemia. É que, perante esta situação, o risco aumenta em empresas exauridas, com pouca força para retomar a atividade. Logo agora que alguma luz no horizonte se aproxima com a dissipação da terceira vaga e o avanço da vacinação.

*Editor-executivo

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