Portugal tem uma das cargas fiscais mais elevadas da Europa, só comparável aos países escandinavos e, no entanto, o que o Estado oferece aos cidadãos não se compara ao que a ele pagamos.
Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde estão outra vez sem dinheiro para pagar a fornecedores, acumulando uma dívida monstruosa. Isto apesar de ter havido um reforço de mais de 1,5 mil milhões de euros entre 2018 e junho deste ano. Algumas unidades de saúde só têm dinheiro para pagar salários.
O problema enferma de um ponto de partida errado: não se dá aos hospitais nem os meios nem a autonomia para poderem realizar o seu trabalho. Quem pior gestão tem, mais premiado é. Ou seja, os hospitais que pior administram os seus gastos são os primeiros a receber reforços do Ministério da Saúde.
Um hospital que tenha as contas certinhas e um serviço de excelência não tem qualquer prémio ou incentivo. Pelo contrário, uma unidade de saúde com dívidas crónicas e desperdícios a olhos vistos recebe do Ministério a respetiva injeção financeira, promovendo a má gestão e o mau serviço aos utentes.
O Governo de António Costa anunciou em setembro do ano passado um projeto-piloto para devolver autonomia de gestão aos hospitais públicos. Passou mais de um ano e nada aconteceu. Primeiro porque as Finanças querem continuar com mão de ferro a gerir a despesa hospitalar e segundo, se fosse dada autonomia, ter-se-iam que zerar as contas e não há milhões de euros para isso. Por falar em gestão: o hospital de Guimarães está à espera há mais de um ano de uma autorização do Estado Central no sentido de abrir um laboratório para tratar cardíacos.
Por não estar aberto, os doentes são obrigados a ir para Braga com um custo adicional de 6,3 milhões de euros por ano. Autonomia não existe e o desperdício está à vista. Esta "pescadinha de rabo na boca" é muito difícil de digerir.
