Aproxima-se a campanha eleitoral autárquica e consequente eleição para os órgãos municipais e de freguesia. Sem prejuízo da "avaliação contínua" a que está sujeito o mandato autárquico, é na parte final do ciclo de quatro anos que se podem e devem colocar as apreciações e interrogações em cima da mesa.
Como militante social-democrata, votarei em Álvaro Almeida, candidato apresentado pelo PSD. Feita esta "declaração de interesse", partamos em busca do que está em jogo no momento do voto.
Como primeira e óbvia asserção, podemos afirmar que é bem diferente confrontar um programa ou projeto eleitoral de um candidato, com um mandato efetivo, exercido por um presidente recandidato!
Sobre os programas eleitorais, por prospetivos, podemos ter opiniões, benignas ou malignas, ter juízos de tolerância ou exigência e até podemos ter fé de que tudo se cumprirá! A credibilidade do candidato conta muito...
Mas, quando se trata de avaliar um mandato de quatro anos efetivos no poder, passamos a lidar com factos, confirmações ou insucessos.
No caso do atual presidente da Câmara, uma primeira forma simples e objetiva de avaliar o mandato é confrontar promessas com realizações, medindo desta forma o Porto que nos prometeram em 2013 (e em que muitos acreditaram e votaram), com o Porto que somos em 2017.
Em 2013, Rui Moreira apresentou-se ao Porto assumindo e prometendo (entre outras) 22 ideias "para ganhar e para cumprir" (sic).
Destas 22 promessas, verificamos com grande evidência que as mais relevantes não foram maioritariamente cumpridas. Não falhou uma, duas ou três. Falhou a maioria. Exemplos? Cá vão:
a) Centro de congressos no Palácio de Cristal?; b) Reabilitar o Bolhão?; c) Aumentar a rede de metro (linha ocidental)?; d) "Auxílio imediato" de 2 milhões às famílias mais vulneráveis?; e) Polo logístico em Campanhã (antigo matadouro)?; f) Construir novas infraestruturas desportivas espalhadas pela cidade?; g) Investir na segurança?; h) Reabilitar e expandir a Biblioteca Municipal do Porto em S. Lázaro?; i) Transferência das escolas do 2.º e 3.º ciclos para a gestão da Câmara?
Ademais, verifico sem surpresa que o Movimento de Rui Moreira, face mais visível de um movimento a que chamam "independentes", adquiriu com grande velocidade aos mais notórios defeitos dos partidos, sem lhes copiar as virtudes. Mais exemplos? Cá vão:
1. Desvio, "captura" ou "pesca à linha" dos adversários de ontem, sem cuidar de manter coerência ou credibilidade do projeto, no qual passam a caber todos os submissos; 2. Para ganhar eleições serviu algum PSD e o CDS, já para governar recorreu ao PS, o mesmo PS que abandonou "à entrada da última curva do circuito" autárquico; 3. Obras, realizações e eventos são deixados, por oportunismo ou incompetência, para o último ano; 4. Promessas não cumpridas de 2013 passam a "novas" promessas em 2017; 5. Excelentes e oportunas desculpas, desculpas e mais desculpas... em Lisboa a culpa é de Bruxelas mas, no Porto, a culpa é de Lisboa.
Tenho para mim, mas deve ser por parcialidade partidária que, verdadeiramente, onde Rui Moreira esteve bem, foi naquilo em que não mexeu: turismo e reabilitação urbana. Aliás, só por má-fé se pode negar que o impulso decisivo do turismo e a aposta na reabilitação urbana tiveram autoria de Rui Rio e do PSD, nos mandatos anteriores.
Mas, em abono da verdade, tenho de reconhecer outros méritos à governação de Moreira, seja pelo extraordinário vereador da cultura que marcou o início do mandato, seja pela extraordinária máquina de comunicação (e propaganda...) que montou e que foram tão úteis para "vender o Porto lá fora".
Mas, a ânsia de protagonismo (estou a referir-me à cidade...) e o êxito "lá fora" chocam de frente com a ausência de "obra" e esquecimento (da cidade) "cá dentro".
Não se constrói "cidade" esquecendo aqueles que são os seus primeiros e últimos protagonistas e lhe conferem a autenticidade e espírito que a difere das demais.
O Porto é mais do que as ruas do Porto, os monumentos do Porto e o vinho do Porto. O Porto é, mais que tudo, a alma dos portuenses e esta maneira de ser e de estar tão típica e diferenciadora.
Em outubro se julgará este mandato, o mandato da governação e o mandato da Oposição. E os portuenses já deram provas várias de pouco "espírito de manada" ou paciência para "vencedores antecipados".
Saibam os projetos em confronto apresentar as suas soluções, em condições de igualdade de armas, sem condicionamentos ou silenciamentos e teremos uma campanha forte e esclarecedora. Álvaro Almeida e o PSD só têm a ganhar com isso.
* DEPUTADO DO PSD
