Desde as eleições legislativas de 2015 - que, recorde-se por verdade histórica, a coligação PSD/CDS ganhou - Pedro Passos Coelho passou a ser a fonte de todas as desgraças que se viveram em Portugal desde 2011.
Num construída confusão entre a doença e a terapia, entre os responsáveis pelo problema e os responsáveis pela solução ou, dito de outro modo, "quem nos levou ao buraco" e "quem nos tirou de lá", o PSD e, em especial o seu líder, foram habilmente acusados de malfeitorias tais como "obsessão com a austeridade", "combate ao défice" ou "submissão a Bruxelas". Até o facto de ter sido o Governo anterior a fechar, com êxito, o programa de assistência financeira foi esquecido, a bem do "mel e do leite" com que nos inundaram fantasiosamente.
Como se não bastasse e face à coerência (discursiva e de rumo) que Pedro Passos Coelho (PPC) ousava manter, os partidos da geringonça parlamentar (e governativa...), PS, PCP, BE e PEV, fizeram do líder do PSD um ódio político comum, que esbateu e escondeu os mil temas em que pensam de maneira bem diferente.
Esta estratégia do "inimigo comum", da qual os média foram dando (voluntário ou involuntário) eco, instalou-se e a melhoria de alguns dos nossos indicadores económicos pareceu dar-lhe sustentação. Tudo como se a nova austeridade não se chamasse "cativações", a carga fiscal não aumentasse, mas desta vez nos impostos indiretos (menos sentidos, mas mais injustos) e, quanto a Bruxelas, não se pressinta nenhuma alteração significativa de comprometimento e partilha.
Este "caldo de cultura" político (a que se juntam erros próprios do PSD, nacional, distrital e local) redundou numa derrota eleitoral autárquica pesada, que foi imputada, centrada e individualizada em Passos Coelho.
E Pedro Passos Coelho - contra muitos dos que pugnavam pela sua liderança e recandidatura - declarou afastar-se. Curiosamente, no meio de tanta derrota, foi único a entender afastar-se e "dar o lugar a outro"... E, por ora, do líder do PSD nos últimos sete anos mais nada referirei, pois disso se encarregará a história e, acredito mesmo, as notícias sobre o seu ocaso político poderem vir a revelar-se muito precipitadas...
E agora PSD? Ao contrário do que alguns possam pensar, o futuro do PSD, a escolha dos seus líderes e das suas estratégias, não é uma questão "interna", parcelar ou indiferente à vida dos cidadãos e eleitores.
O PSD é o maior partido representado na Assembleia da República, foi Governo (sozinho ou em coligação) uma parte substancial do período democrático e pretende construir a alternativa ao modelo gelatinoso e de "governação à vista" em que vivemos.
Conforme já desenvolvi no debate interno que se abriu e feita a declaração de interesse (natural, para quem fez com ele todo o percurso político autárquico no Porto) de apoiante do candidato Rui Rio, creio que se colocam aos militantes questões prévias à decisão do sentido de voto nesta importante eleição interna. E, entre outras, cada militante terá de responder a si mesmo:
a) Quem representamos quando votarmos? Nós mesmos? O nosso eleitorado e as suas expectativas? b) Quem poderá ser o rosto mais eficaz e credível para fazer oposição a esta específica fórmula de governação socialista? c) Eleito o líder, quem chegará mais facilmente aos eleitores e obterá melhores resultados eleitorais? d) Se estamos a falar de um candidato a primeiro-ministro, quem estará mais vocacionado para exercer tal responsabilidade? e) Quem melhor poderá prosseguir em coerência - sem prejuízo das diferentes personalidades e evolução do país - com o passado recente de rigor e sentido de responsabilidade que o PSD introduziu na governação do país? f) Sabendo da necessidade de abrir o partido (todos os partidos), buscando novos eleitores e novos públicos, quem melhor poderá provocar a adesão de novos apoiantes fora do partido?
A estas questões podíamos juntar várias outras e a resposta será conhecida no dia 13 de janeiro de 2018.
Mas, tenho para mim que, se votasse a generalidade dos eleitores sociais-democratas na escolha do futuro líder do PSD, a escolha seria bastante óbvia. Porque será?
* DEPUTADO DO PSD
