No primeiro dia do ano existe sempre um momento para se fazer previsões de como poderá ser 2026.
No plano internacional, será o tempo para desejar o fim do conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Resta saber quem vai estar no epicentro da paz e qual será o preço que a Ucrânia vai pagar para resgatar a sua soberania e, ao mesmo tempo, saber qual o custo que a economia russa vai sofrer para fazer face à reconstrução ucraniana. Do fim deste conflito irão, necessariamente, emergir algumas alterações à ordem mundial existentes, quando mais não seja na relação entre a Europa e os Estados Unidos.
Será o tempo de a União Europeia refazer a sua arquitetura institucional. Por um lado, o eventual alargamento a outros estados-membros e, por outro, a eventual entrada da Ucrânia na UE. O reforço das relações com o Reino Unido poderá ser, de novo, colocado na agenda numa altura em que os britânicos começam a aperceber-se do erro que foi o Brexit.
Ao mesmo tempo, as questões da defesa irão entrar na agenda política com mais insistência. A NATO deverá ficar assente em dois pilares: o europeu e o americano. O pilar europeu será a resposta do velho continente à separação do aliado americano que deixa de garantir a segurança que permitiu o maior período de paz.
Ainda neste plano internacional, vamos continuar a assistir a alguma deriva da Administração Trump, nomeadamente, na questão da Gronelândia e na tentativa de manter a presença americana no Pacífico com um olho no Índico. A China irá continuar a sua política de soft power enquanto investe no reforço do seu hard power.
No plano interno, as eleições presidenciais vão dominar o primeiro trimestre do ano. Divididos entre candidatos que são originários do espectro partidário e um candidato independente de partidos, os portugueses irão ser chamados a escolher o seu presidente da República, provavelmente, numa eleição a duas voltas.
Desde 1986 que não vivemos uma situação deste género. Só que, desta vez, é diferente. Numa primeira volta onde esteja André Ventura, o outro concorrente vai conseguir atingir o lugar de mais alto magistrado da nação. Se, pelo contrário, estiver Marques Mendes, Seguro ou Gouveia e Melo, aqui a escolha será sempre relevante entre a "teoria dos ovos" de Mário Soares ou um independente dos partidos.
O Governo será também colocado à prova com as necessárias reformas que o país precisa e que as corporações não gostam.
A palavra do ano político poderá ser estabilidade. Num quadro onde impera o domínio do centro-direita, será o tempo para se comemorar os cinquenta anos da Constituição de 1976. O mais duradouro documento do nosso tempo constitucional tem provado a sua resiliência e adaptação às transformações sociais, evitando, como previa Ferdinand Lasalle, converter-se numa mera folha de papel.
Vamos então para o novo ano com a expectativa de que Portugal terá de se preparar para enfrentar os novos desafios e evitar os ciclos populistas.

