Muito se tem falado nos últimos tempos sobre o papel das CCDR - Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional na estratégia de inovação e competitividade territorial do nosso país. As CCDR são e devem ser centros de inteligência estratégica focados na planificação, gestão, mobilização e promoção de agendas operacionais de criação de valor com impacto social nas regiões onde atuam. Deverão ser de facto cada vez mais centros de coordenação e execução de uma agenda de reforço da coesão territorial e social num país que tem uma Marca Nação forte com grande projeção em termos de redes internacionais.
Quando analisamos os indicadores sobre a coesão territorial e social do nosso país, cinquenta anos depois da implementação da democracia e pouco mais de quarenta anos depois da adesão à atual União Europeia, os números falam por si - apesar da grande evolução registada do ponto de vista de investimentos de modernização estratégica de infraestruturas e de reforço da capacitação do capital humano, hoje temos um país mais centralizado, com assimetrias crescentes entre o interior e o litoral e com dificuldades de resposta operacional aos desafios e exigências de um mundo cada vez mais incerto, exigente e complexo.
Por isso pergunta-se - o que falhou? O que falta fazer? Não há respostas imediatas e conclusivas. Mas há certamente lições retiradas destes anos e que nos permitem dar nota aqui de alguns pontos que nos parecem centrais para uma governação inteligente do território nos próximos tempos. Uma nota inicial - o nosso país tem uma Marca Nação forte, com muitos séculos de história e isso não deve ser posto em causa. Do que precisamos daqui para a frente é de uma nova estratégia de mobilização liderante dos recursos e competências de cada território e do foco claro em áreas estratégicas específicas que possam catalizar a captação de investimento - estrangeiro e nacional - em articulação com as empresas e centros de competência da região.
Foi essa aliás uma das tónicas centrais do Relatório Porter de há 30 anos e que revisitámos num Ciclo de Smart Discussions on line com a participação de especialistas em várias áreas da nossa economia e sociedade. Na linha do que outros países fizeram, importante ter um foco muito claro nas áreas estratégicas e clusters em que cada território vai atuar, consolidando com isso o papel de recursos e competências com capacidade de criação de valor. O exemplo da aeronáutica no Alentejo e da área da Moda ( têxtil e calçado) no Vale do Ave são bons exemplos que importa destacar e replicar noutros territórios do país.
O que aqui está em causa é a capacidade dos territórios de porem no terreno estratégias efetivas de especialização inteligente com efeito claro em termos de escala nas redes internacionais de criação de valor.
As CCDR devem ter a capacidade de orquestrar, dinamizar e monitorizar estas agendas de criação de valor. Devem ser capazes de mobilizar o território para essa agenda, de forma coordenada e em rede, em articulação com a estratégia europeia e nacional. As CCDR não podem nem devem ser agências nacionais desconcentradas - têm que ser de forma clara centros de inteligência de base regional - com representatividade e governance associada - que consigam dar sequência a uma verdadeira estratégia de competitividade territorial executada pelas empresas, universidades e centros de competência, com claro enfoque na capacitação e qualificação das pessoas e da comunidade.
É esse o papel das CCDR. É essa agenda que têm pela frente neste novo ano e daqui para a frente. O mais importante é a clarificação do seu papel, da mobilização dos recursos e competências do território para agendas claras, focadas na criação de valor com impacto territorial e social. A articulação com as estratégias europeias e nacionais deve ser um instrumento ao serviço deste papel central e maior que cabe às CCDR de serem o motor de uma agenda de confiança para o território.

