A Bosch em Braga tem, nos próximos seis meses, 2500 trabalhadores em lay-off devido à escassez de componentes para peças eletrónicas. Se a Autoeuropa ficar mais de oito dias sem fornecimento de semicondutores, a produção vai ser obrigada a parar, afetando 19 empresas e cerca de dez mil trabalhadores do parque industrial. A fábrica da Stellantis em Mangualde, que pesa 27% na produção automóvel, corre os mesmos riscos. A dependência excessiva da China coloca Portugal e outros países europeus numa situação periclitante.
A gravidade e plausibilidade deste cenário são elevadas. O setor automóvel contribuiu com 42,6 mil milhões de euros para a economia, representando 7,7% da faturação da totalidade das empresas. Em 2024, gerou 17,8% das receitas fiscais do Estado português. Vamos mesmo ter um excedente de 0,3% este ano e de 0,1% do PIB em 2026? A economia terá um crescimento acima dos 2% no próximo ano?
Stéphane Séjourné, vice-presidente da Comissão Europeia, confirmou, na semana passada, que estamos só a duas semanas de distância de uma crise que afetará até o setor das renováveis. "Hoje, temos reservas estratégicas europeias entre cinco e 15 dias, nomeadamente no domínio das baterias para automóveis ou eólicas", sublinhou.
Os riscos imediatos parecem afastados. O recente acordo, de 12 meses, entre Washington e Pequim vai dar tempo à União Europeia no sentido de diversificar os seus fornecedores. Segundo o comissário para o comércio e segurança económica, Maros Sefcovic, a China confirmou que a suspensão dos controlos de exportação de terras raras será estendida à UE.

