Giordano Bruno (1548-1600) foi um filósofo italiano que revolucionou a astronomia, afirmando que o Universo é infinito, todo habitado por Deus e com infinitos astros, alguns deles habitados. Deu, assim, uma outra dimensão à astronomia copernicana, que tinha considerado que o Sol estava no centro do Universo, com os planetas a girar em torno dele, nomeadamente a Terra.
Numa época em que se acreditava que o Mundo era fixo e limitado por uma cúpula celestial, onde se encontravam o Sol, a Lua e os restantes astros, governados por um complexo sistema de ciclos e epiciclos, as teorias de Bruno - que também foi sacerdote - foram mal recebidas, fortemente criticadas e rejeitadas. Apenas foram aceites por pequenos grupos de pensadores.
Mas a maioria não concordava e contestava-o, terminando por ser preso pela Inquisição, que o manteve encarcerado oito anos em Roma, onde foi condenado à morte na fogueira por não querer renegar os seus ensinamentos. Giordano Bruno terá acolhido a decisão papal com altivez e serenidade, tendo sido queimado vivo no Campo di Fiore, em 17 de Fevereiro de 1600.
Contudo, alguns pensadores continuaram a defender as suas perspectivas, nomeadamente Galileu Galilei (1564-1642), que foi presente seis vezes ao Tribunal do Santo Ofício, tendo sido obrigado a renegar as suas ideias para salvar a vida. Mas a verdade termina sempre por se impor e os ensinamentos de Copérnico, Bruno e Galileu vieram a conquistar reconhecimento público generalizado na segunda metade do século XVIII, passando o sistema que eles defenderam a ser considerado o único que se harmoniza com as leis universais.
Copérnico passou a ser considerado o fundador da astronomia moderna e Galileu o fundador da física moderna. Mas Giordano Bruno passou a ser respeitado como um visionário de grande convicção e coerência, que, aos 52 anos, ofereceu a própria vida como contributo à verdade.
