
Várias universidades inglesas preparam-se para encerrar os seus cursos de Línguas Modernas, incluindo de Tradução. A Universidade de Nottingham, uma das mais importantes do Mundo, que se autointitula "universidade global", confirmou já o encerramento previsto a partir de junho de 2026. Tais notícias estão a gerar grande perturbação nos meios académicos, correndo em vários países, incluindo Portugal, uma petição de repúdio, alertando para os efeitos adversos na diversidade linguística e cultural no mundo global.
Deste modo, perspetiva-se uma absoluta hegemonia da língua inglesa, ao impedir que continuem a existir licenciaturas em outras línguas, como russo, mandarim, alemão, francês e português, e assim comprometer a formação de futuros professores nesses idiomas.
O estudo das diversas línguas é um alicerce da vida académica, da investigação internacional, da compreensão cultural e do envolvimento cívico. Quão cruciais elas são para construir pontes académicas, sustentar a cooperação global e garantir que as universidades se mantêm verdadeiramente abertas e internacionais.
Neste claro propósito de ostracizar outras línguas, a Universidade de Nottingham e as demais que se lhe seguirem (a Universidade de Leicester é já uma delas) vêm reforçar o estatuto egocêntrico do inglês, de tal modo que nos lembra o eucalipto nas nossas florestas. Onde ele vinga, todas as árvores secam à sua volta.
Bem sabemos como as chamadas "sociedades do conhecimento", com o apelo à internacionalização como princípio estratégico, são já dominadas por modelos anglo-americanos que se impõem através da língua. Ditam regras e critérios, impõem as suas influências no sistema científico internacional. A partir da língua inglesa, assistimos a uma homogeneização do pensamento científico, reforçando a hegemonia cultural e política dos países anglófonos, com modelos que conduzem a uma condição colonial sobre as outras línguas, condicionando a própria capacidade de refletir sobre a experiência cultural e civilizacional dos respetivos territórios. Modelos que projetam traços evidentes de etnocentrismo nesta implacável hegemonia de quem quer e pode encarar o "outro" como inferior, tendo a língua como arma. Uma espécie de ditadura da língua.
Mas é bom não esquecer, no caso da Língua Portuguesa, com os seus 265 milhões de falantes em todo o Mundo, que foi idioma da primeira vaga da globalização. É por isso, desde 2019, a primeira língua a ter um Dia Mundial (a 5 de maio), proclamado pela UNESCO.
