A economia americana continua refém da China
A política dos Estados Unidos face à China assenta, há décadas, numa premissa frágil: a de que concessões económicas podem gerar moderação política. A experiência demonstra o contrário. Desde os anos 90, Washington tem privilegiado a estabilidade imediata, enquanto Pequim transforma abertura externa em poder estrutural.
Em 1993, Bill Clinton tentou condicionar o acesso da China ao comércio internacional a progressos em direitos humanos. Um ano depois, recuou. Pequim ignorou as exigências e Washington concluiu que o confronto não compensava. Esse episódio marcou o início de uma estratégia de acomodação que se consolidou com a entrada da China na OMC e perdurou por décadas.
O problema é que a estabilidade nunca foi simétrica. A China aprendeu a explorar a relutância americana em assumir custos económicos, alternando gestos conciliatórios com ameaças credíveis. Enquanto Washington procurava gerir a relação, Pequim acumulava poder industrial, tecnológico e coercivo. Sob Xi Jinping, essa ambição tornou-se explícita: dominar os principais setores económicos e moldar a ordem internacional.
Os acontecimentos de 2025 tornaram essa assimetria evidente. A escalada tarifária iniciada pelos Estados Unidos terminou quando a China usou a sua arma mais eficaz: o controlo das terras raras. O corte de exportações expôs uma vulnerabilidade crítica e forçou um recuo rápido de Washington. Seguiu-se uma trégua frágil, baseada em promessas vagas e facilmente reversíveis.
O padrão repetiu-se. Pequim manteve mecanismos de controlo sobre minerais críticos e tecnologia, oferecendo concessões limitadas para ganhar tempo. Washington, por seu lado, suavizou tarifas e restrições tecnológicas, enfraquecendo o incentivo à diversificação das cadeias de valor. A curto prazo venceu a ilusão da estabilidade; a longo prazo consolidou-se a dependência.
Entretanto, o mais recente plano quinquenal chinês confirma que a economia foi subordinada à segurança nacional. A indústria avançada é vista como o principal campo de batalha e a inteligência artificial como o multiplicador decisivo de poder. A China não procura integração; prepara-se para confronto prolongado.
A lição é clara: concessões não compram cooperação duradoura. Compram tempo - tempo que Pequim usa melhor do que Washington. Perseguir estabilidade com um regime empenhado em dominar o sistema internacional não é prudência. É uma fantasia confortável.

