A economia verde à escala das pequenas e médias empresas
A economia verde tornou-se um dos principais motores do crescimento global. O aumento expressivo dos investimentos públicos e privados ao longo da última década impulsionou o setor verde (FTSE EOAS) ao segundo melhor desempenho no Industry Classification Benchmark do FTSE AllWorld Index. Entre 2015 e 2025, a sua capitalização bolsista registou uma taxa de crescimento anual composta de cerca de 15%, superando o índice S&P 500. Uma tendência que, apesar de um contexto global mais divergente, aponta para uma valorização deste mercado superior a seis biliões de euros até 2030, consolidando-o como um dos setores de crescimento mais dinâmicos da economia global.
Mas se o desempenho global é evidente, transpô-lo para as empresas portuguesas, onde mais de 99% do tecido empresarial não financeiro é composto por micro, pequenas e médias empresas (PME), acarreta desafios estruturais. Na gestão destas empresas, persistem ainda dúvidas e reticências sobre este potencial económico verde, encarando a sustentabilidade, sobretudo, como exigências externas impostas por clientes, critérios bancários ou condições de acesso ao mercado. A estas perceções acrescem as limitações de capital, a dificuldade de acesso a financiamento adequado, a escassez de recursos internos e a, tão portuguesa, aversão ao risco.
A sustentabilidade exige planeamento, dados e investimento. Sendo estes fatores escassos nas realidades das PME, quem gere um negócio deve ter foco pragmático. Hoje, três áreas concentram simultaneamente o maior potencial económico e de descarbonização, representando mais de 55% das emissões e tornando o negócio mais competitivo: a produção de energia renovável para autoconsumo, a eletrificação progressiva das frotas de passageiros e o investimento sistemático em eficiência energética e na gestão de recursos materiais. Mesmo sem subsídios, a maioria destas tecnologias já é economicamente viável, beneficiando de reduções significativas de custos ao longo da última década.
Este pode ser um plano simplificado para entrar neste mercado, mas não pode ser o único. Precisamos de democratizar a economia verde por meio de modelos de financiamento ajustados à escala operacional das PME, suportados por dados fidedignos que apoiem decisões e soluções que alinhem mais a sustentabilidade à competitividade. Só assim a perceção da transição climática poderá ser reenquadrada de um custo inevitável para uma verdadeira estratégia de crescimento económico sustentável.

