A Educação só existe quando há esperança!
Em plena pausa letiva da época natalícia, após quatro meses de atividades exigentes, que implicaram um esforço afincado expendido por alunos, docentes, técnicos superiores e especializados, assistentes técnicos e operacionais, as escolas respiram e ganham novo fôlego na preparação de mais uma etapa, também ela desafiante e a solicitar renovado empenho de todos os atores educativos.
Contudo, apesar de se vislumbrar algum avanço, persistem diversos problemas em aberto, que, a serem solucionados, aprimorarão a qualidade do trabalho diário empreendido pelos profissionais, que se dedicam em pleno aos seus discentes: a escassez de professores e assistentes operacionais, a enorme carga burocrática inerente às tarefas pedagógicas e o apoio deficitário aos alunos com necessidades educativas específicas, entre outros, que apoquentam seriamente a Educação.
Reconheço como muito positivo o regresso ao estado de paz e de estabilidade nas escolas públicas portuguesas, em consequência da atribuição dos 6 anos, 6 meses e 23 dias devidos aos professores, medida interpretada como um sinal de boa-fé para o interior do sistema educativo, pacificando e reparando os ânimos e as motivações. Mas é outrossim urgente enviar sinais confiáveis para o exterior ao gerar condições para que a carreira docente seja atrativa, alavancada, entre outras medidas, por progressões justas (eliminação do sistema de quotas, alteração ao modelo de avaliação do desempenho docente...) e pelo incremento dos vencimentos em todos os escalões, mormente nos primeiros.
Impõe-se um forte investimento na Educação, área desprezada pelos sucessivos governos ao nível dos recursos humanos, físicos e materiais, para assim potencializar a excelência da Escola Pública e a quem nela trabalha, apostando fortemente no sucesso e aspirações dos alunos, dando-lhes as oportunidades e as ferramentas para desenharem projetos pessoais mais edificantes.
Paralelamente é necessário acreditar nas comunidades educativas, atribuindo-lhes autonomia, por ora inexistente, para que possam desenvolver os seus projetos educativos excecionais, libertando-as das amarras que tolhem os seus sonhos e convicções - na verdade, a sua missão, dotando-as de uma maior capacidade para enfrentarem os constrangimentos diários, perspetivando a ampliação da qualidade e eficiência do serviço prestado.
Que 2026 faça renascer uma esperança inspiradora na Educação, necessitada de um contínuo de ações valorosas e sólidas de quem a tutela, para assim poder impulsionar a conceção de cenários futuros mais brilhantes, inovadores e bem-sucedidos.

