Nesta campanha eleitoral para as presidenciais houve de tudo. Acusações de ordinarices, desistências de candidatos que não se concretizaram, apoios indesejados, promessas de oferecer um Ferrari a cada cidadão e até quem, em direto, perdesse a cabeça.
Alavancada pelas sondagens, que voltam a ser criticadas quando não dão jeito e glorificadas quando apresentam resultados simpáticos (foi sempre assim e assim será), não se pode dizer que a campanha tenha sido morna. Pode dizer-se, isso, sim, que neste período de caça ao voto se discutiu mais temas relacionados com a governação do que o papel constitucional do presidente da República. Não tem mal nenhum, porque, no fundo, os portugueses querem saber o que pensa um presidente sobre o país real, sobre as pessoas concretas, sobre a vida. Não é por acaso que programas de conversas íntimas na televisão ou no YouTube têm o sucesso que têm.
Também se desvalorizou a qualidade dos candidatos, teimosamente comparados a outras figuras e pesos-pesados da política portuguesa. E voltamos ao "antes é que era bom", porque há quem faça questão de estar eternamente preso ao passado. Um passado, aliás, que amanhã nos brinda com o dia de reflexão, verdadeira relíquia da nossa democracia que já não faz nenhum sentido.
A grande novidade desta campanha prende-se com as redes sociais. Pela primeira vez de forma transversal, a política passou também a ser posts, stories e reels pensados estrategicamente para emocionar e não tanto para refletir. As regras antigas já não definem como votamos e o sentido de voto pode mudar à velocidade de um scroll. No domingo, também estão em jogo decisões que se formam em segundos.

