Os agregados familiares sofreram em Portugal nos últimos anos variações significativas, sendo agora mais pequenos: em 1960 o número de famílias com seis ou mais pessoas era 17% do total, sendo agora apenas 3%; o número de pessoas que viviam sozinhas subiu, no mesmo período, de 11% para 17% dos agregados familiares.
Em 1975 foram celebrados em Portugal 102 mil casamentos e em 2008 apenas 43 mil. No mesmo período o número de casamentos católicos baixou de 82 mil para 19 mil. E o número de divórcios por ano aumentou de 1.550 para 26.000.
A idade média à data do primeiro casamento tem vindo a subir de 24 anos em 1980 para 29 anos. E a idade média das mulheres aquando do nascimento do primeiro filho de 25 para 28 anos. O número médio de filhos por mulher baixou de 3,2 em 1960 para 1,4 em 2008.
O número de uniões de facto, que não tinha significado estatístico em 1960, é actualmente de cerca de 500 mil. Os nascimentos fora do casamento subiram de 9% em 1960 para 36% em 2008. O peso das famílias monoparentais (sobretudo mãe e filho ou filhos) já é de 8%. O número de famílias recompostas é também crescente.
A relação conjugal aparece como menos contratualizada, aceitando-se outra ou outras tentativas de encontrar o parceiro ideal. Talvez se trate de procurar uma relação a dois mais profunda e mais adequada. O que também explicará parcialmente as tendências de casar mais tarde e de viver algum tempo em união de facto antes do casamento. Merece ponderação o facto de essa relação poder ser ou não a mais adequada para os filhos. Talvez por isso cresça o número de famílias monoparentais.
Mas, embora com contornos diferentes, a família continua, e aparentemente continuará, a ser o núcleo fundamental da sociedade portuguesa. Esse conceito terá sido decisivo para que o número de famílias a viverem em casa própria tenha subido de 1960 até agora de 39% para 76%.
