É evidente a crescente falta de recursos humanos qualificados em Portugal, abrangendo desde profissões como eletricistas, canalizadores e serralheiros a professores de geografia, informáticos, médicos e enfermeiros. Não tenho dúvidas em afirmar que esta situação, associada à evolução demográfica negativa da população, constitui a maior limitação ao desenvolvimento sustentado do nosso país.
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É imperativo problematizarmos, de maneira sistémica e abrangente, os desafios que a presente situação nos apresenta e delinearmos de modo o mais consensual e transparente possível formas de lidar com esta gravíssima situação. Para tal há que definir metodologias, instrumentos de trabalho, processos decisórios apropriados, objetivos quantificados e cenários temporais associados.
As recentes decisões sobre novas formas de problematizar e atuar em relação ao SNS e ao novo aeroporto internacional de Lisboa mostram que se está finalmente, ainda que de modo tímido e não explícito, a inovar no ataque aos principais problemas do país, face à atuação tradicional que tem sido sempre imediatista e abrangido fundamentalmente o curto prazo, em vez de os procurar resolver estruturalmente, no longo prazo e de forma sustentada.
Era fundamental elencarmos as nossas necessidades de recursos humanos qualificados, de forma extensiva, objetiva, nos diversos domínios das atividades essenciais do país. E face a estas necessidades, em termos qualitativos, quantitativos e temporais, enunciarmos as formas de os "produzir", com meios humanos existentes no país, ou importados, especificando quem vai desenvolver as ações de formação associadas, e quais os meios disponibilizados para tal, sendo que os meios financeiros e materiais são os mais fáceis de obter. Já os meios humanos, os formadores qualificados, esses são outras contas, pelo que importa definir à partida a forma de os disponibilizar a tempo e horas e nos lugares necessários para a execução das ações de formação.
Temos uma oportunidade única nos próximos anos para colmatar esta grave deficiência de recursos especializados. Espero bem que não a desperdicemos.
*Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC
