Uma das características mais irritantes do futebol português é a tendência que a maioria das equipas tem em queimar tempo e abusar desse recurso enquanto estão em vantagem. Um jogo assim fica enredado em expedientes, geralmente com a complacência de quem o apita. O jogo perde ritmo e torna-se enfadonho.
Perante uma má entrada da minha equipa, o Estrela encontrava-se a ganhar no fim do primeiro tempo. O ambiente no estádio não era o melhor. Sentia-se a tensão no ar e os assobios começavam a ganhar consistência.
A equipa adversária poderia jogar com esse facto, enervar o adversário com um futebol positivo, mas não, decidiu engonhar. O início da segunda parte foi uma vergonha. Os jogadores do Estrela "lesionavam-se" com delicada facilidade. Além de antidesportivo é estúpido: vira o foco dos adeptos. O defesa Lekovic fez também a sua pantomina. Quase a "morrer" solicita a entrada da equipa médica e sai amparado pela linha final. Miraculosamente, atravessada essa linha, começa a correr para reentrar. E foi precisamente nesse teatro que o Vitória, a jogar com mais um, empata o jogo. Pouco depois confirma a reviravolta e o merecido castigo (nem sempre verificado) à intrujice.
Admito não ser fácil para árbitros minorar esta pouca-vergonha, mas há que tentar. Tal faz parte de uma cultura antidesportiva que rende em Portugal. Em Inglaterra são os adeptos a censurar estes comportamentos, mesmo nos seus jogadores. Aqui a religião não o permite.
Houve justiça e o jovem Diogo Sousa, mais um produto das escolas de formação do Vitória, marcou o merecido golo da vitória. O seu primeiro golo. Outros virão.

