A Kristin e o Terreiro do Paço
Um desastre natural é uma oportunidade para avaliar o ordenamento e a administração do território! Sabe-se - há muito - que a temperatura média do planeta continua a aumentar, o que está na base do incremento do número e da intensidade de fenómenos extremos. E sabe-se também que as consequências destes se minimizam na prevenção. Ora, face a inundações, há um relatório da DGT que nos diz que existiam, em Portugal, em 2021, um total de 26 540 edifícios em áreas inundáveis. O que se faz para proteger estes edifícios, se têm de permanecer onde estão, ou para transferir pessoas e demolir prédios, quando essa é a melhor solução?
Quando se prevê vento com velocidade de 160km/h, o que mais importa? Um aviso adequado, a tempo, e ação rápida de apoio logo a seguir. Imaginem se fosse à hora em que as pessoas estavam na rua! Porque não apareceu o PM na televisão e apenas 40 horas depois, surpreendido com os resultados, sem haver socorro imediato? Seria assim se fosse em Lisboa?
Nos primeiros dias vimos apenas os autarcas, com meios escassos, mas um coração enorme! Que se calem, pois, os centralistas no ataque ao poder local e se reforme de vez a geografia da administração, face à incapacidade do centralismo avisar e acudir a quem precisa. Além disso, leve-se o ordenamento a sério, demita-se a ministra da Administração Interna, cuja permanência no Governo é um insulto, e haja esperança que o "ministro da (auto)propaganda" e o das "manobras militares de faz-de-conta" ganhem juízo.

