Passaram mais de 18 anos do desaparecimento de Maddie. Nunca escrevi sobre o caso, não gosto de emitir opiniões quando a equação é composta por mais perguntas do que respostas. Mas é justo que possamos olhar para os pais da menina com compaixão. O mundo condenou-os, não por existir alguma prova de que pudessem estar envolvidos, mas por terem sido negligentes - afinal, que pais poderiam deixar uma criança de três anos sozinha no quarto com os seus irmãos gémeos, ainda bebés de colo? Sou pai e é inimaginável tal ausência de cuidado. Condenámo-los a pagar esse pecado com a maldição de um sofrimento eterno. Perderam a sua bebé, penitenciaram-se com a culpa do seu desleixo, foram insultados por pessoas que os olhavam de soslaio e acusados por um polícia português que ainda fez pé-de-meia com o assunto. Para não falar das dezenas de vezes que os McCann foram a lugares onde alguém jurava ter visto a filha ou as muitas em que conheceram jovens mulheres que juravam ser Maddie. Julia foi a mais insistente. Polaca, com perturbações emocionais confirmadas pela sua família biológica, mas insistente na tese de que ela era a que procuravam. Fizeram-se testes de ADN e faciais, não era. As provas eram irrefutáveis, mas nem assim parou de assediar Kate e Gerry com mensagens diárias, cartas, esperas e até uma tentativa de entrar em sua casa. Foi condenada a seis meses de prisão. Nada comparado com a prisão deste pai e desta mãe que parecem cativos do martírio até ao fim das suas vidas. Uma cruel maldição.
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