As moinas são uma tradição antiga das Festas Nicolinas, as centenárias festas dos estudantes de Guimarães. O objetivo é a de, previamente às festividades, serem treinados os jovens estudantes nos toques próprios de caixa e bombo que caracterizam as Nicolinas. No fim do treino, os estudantes deslocam-se pela cidade para fazerem a moina propriamente dita, ou seja, irem lanchar à casa dos beneméritos que por via de comida e bebida colaboram nas Festas através da sua generosidade. No meu tempo era mais fácil, eram poucos os moinas. Atualmente são centenas aqueles que participam nestes números.
No dia do jogo com o Tondela não pude assistir à primeira parte. Vim ver a segunda parte, na minha rua, precisamente quando o meu vizinho André e a sua família ofereciam uma moina. A tradição impõe-se e o meu vizinho vitoriano (extremamente, como não podia deixar de ser) afadigava-se a servir os moinantes. Antes de eu me tornar igualmente um moina, espreitei o resto do jogo. Os meus amigos que assistiam desde o início escusaram-se a comentar o que viram até àquele momento em que eu lhes fiz companhia. Percebi o silêncio. Assisti, no entanto, aos lances finais em que o penálti redentor nos deu a vitória. Fiquei desde logo fora de mim quando vi que o árbitro, mesmo em cima da jogada, transformou um lance claro de grande penalidade num cartão amarelo para o Saviolo. Fiquei incrédulo com tamanha incompetência, mas a coisa, felizmente, compôs-se.
Não vale a pena, para nós vitorianos, sofrer com a falta de qualidade da equipa. O que é necessário é que haja moina, como houve. Pode ser que a coisa melhore.
*Adepto do Vitória

