Depois do início formal da legislatura com a entrada em funções dos novos deputados da Assembleia da República e do novo Governo do Portugal, e tendo partilhado no meu anterior artigo de 29 de março perspetivas sobre o novo Governo, partilho hoje algumas notas sobre a nova Oposição.
Do PCP/CDU e do BE é expectável uma Oposição em modo ligeiro no início da legislatura pelo seu elevado comprometimento com o PS nas duas legislaturas anteriores, mas perspetiva-se um crescendo na sua ação, com o eventual rejuvenescimento do PCP e um problema delicado de reafirmação do BE
Do Chega e da Iniciativa Liberal perspetiva-se um ritmo idêntico ao que vinham tendo até às eleições legislativas, sendo que surpreende a sua ausência do espaço mediático nesta fase, o que se pode explicar pela sua recolocação política num mandato com maioria absoluta do PS e com uma presença relevante na Assembleia da República, que implicam reordenamento da sua tipologia de comunicação e escolha de estilo e de momento de intervenção.
Do CDS espera-se uma nova dinâmica com a liderança de Nuno Melo, embora com uma necessidade de afirmação e consolidação interna e com um lançamento de uma nova vida e energia na afirmação pública de um CDS respeitador da sua tradição e que tem de ser muito inovador na sua ação política
Do PSD ainda existem interrogações e necessidades de espera pelo seu processo das eleições diretas de 28 de maio, com a perspetiva de dois candidatos que, sendo pessoas e percursos muito diferentes, têm uma base de ação política idêntica, residindo a dúvida sobre a vontade e a capacidade de cada candidato de mudar e reformar profundamente o PSD para que este volte a ser um partido liderante da Oposição e que se afirme aos olhos dos portugueses como um partido alternativo para a governação do país.
Na gestão da legislatura que se está a iniciar, há necessidade de concretizar reformas profundas e urgentes, em matérias como a regionalização, a descentralização, a nova Lei das Finanças Locais, a contratação pública, a legislação eleitoral, entre outras, existindo a necessidade de construir pontes entre o Governo e a Oposição que permitam que o país possa crescer na qualidade da estrutura e do funcionamento da máquina administrativa do Estado e na sua gestão geral e política.
Que a nova Oposição seja boa para a Democracia e útil para Portugal é o que todos queremos, dando objetivo contributo para bem servir os portugueses.
Presidente da Câmara de Aveiro
