Quando se gosta muito de uma equipa de futebol, como nós gostamos do Vitória, estamos sempre à espera de ver um pormenor num jogador ou na equipa que nos relance a esperança. Neste jogo não se viu nada disso, ou quase nada. O domínio da equipa vitoriana foi absolutamente inconsequente e a incapacidade da equipa em definir bem o passe na zona de remate foi desoladora.
Este foi um jogo fraco a todos os níveis, num estádio às moscas. Apesar de mais de metade da parca assistência se ter deslocado de Guimarães, os responsáveis do Casa Pia decidem meter, quem fez tamanho sacrifício, atrás de uma das balizas, deixando escandalosamente vazios os locais que dariam alguma visibilidade a quem paga para ver um jogo. Num estádio que, como tantos outros, só parece albergar um jogo da principal liga portuguesa quando os catequizados da região lá se deslocam para apoiar as equipas do Porto e de Lisboa, tal desrespeito por quem apoia (verdadeiramente) a sua equipa é uma negação daquilo que deveria haver por quem se sacrifica para apoiar o seu clube: respeito.
Este género de desconsideração é incompreensível. Já não basta a catequização diária Porto-Benfica-Sporting para desviar os adeptos dos clubes das terras em que vivem, mas a desconsideração por quem se desloca, fora da manada habitual, gasta gasolina, almoço e bilhete, ainda torna mais deprimente as assistências que vemos nos vários estádios. Na Europa civilizada não é assim. Seja qual seja a divisão os estádios enchem-se. O futebol é uma festa e não propriamente uma procissão a que, como cá, as restantes equipas assistem em reverente silêncio.

