Com António Guterres estávamos no pântano, com Durão Barroso estávamos de tanga, com José Sócrates estamos à rasca. Muitos (200 mil?) desfilaram em algumas cidades do país, gritando que eram «a geração à rasca». Logo a seguir, 200 polícias postaram-se frente à residência oficial do primeiro-ministro e clamaram que também eles estavam à rasca. Camionistas pararam porque estavam à rasca e, embora o protesto não tivesse durado muito, já havia imensa gente à rasca, com medo de que as prateleiras dos hipermercados se esvaziassem e secassem as mangueiras dos postos abastecedores de carburantes. Uma onda de greves varre os transportes públicos de Lisboa e a CP e deixa à rasca milhares de pessoas que vêem a sua vida a andar para trás (em última análise, não a andar para a frente, como desejariam...).
Quem parece que não ficou à rasca foi o Governo, que respondeu a tanta contestação brindando Portugal com o PEC 4, onde, é evidente, se pedem mais sacrifícios aos cidadãos. Em contrapartida, à rasca é capaz de estar neste momento o dr. Passos Coelho, que se arrisca a ver cair-lhe no regaço um país à beira do colapso económico e financeiro.
E isto porque parece inevitável que o Parlamento não aceitará o novo PEC e o primeiro-ministro dá a entender que, a ser esse o caso, se demitirá. Mas, a haver novas eleições, voltará à liça, garante. Neste impasse, o dr. Passos Coelho fica à rasca, hesitando entre hostilizar o PEC, lançando o país no apocalipse, como dá a entender o eng.º Sócrates, ou o contrário, o que Governo não deixaria de apelidar de acto patriótico, mas deixaria o partido muito mal visto entre os seus apoiantes.
Dentro em breve se saberá como terminará este episódio. Mas, seja como for, uma coisa é certa: continuaremos a ficar à rasca.
