A reforma que (faz) falta!
Regiões só servem para criar "tachos" e gastar mais dinheiro! E dividir o país? Mas, Portugal é tão pequeno!
Com argumentos destes a difundir-se, a regionalização tornou-se "palavra feia", evitada mais que tudo pelos políticos que chegam à capital.
Mas temos ou não um Estado pesado, distante, burocrata e pouco eficiente? E alguém acredita que ficamos melhor sem fazer nada? Ou com privatizações? Perguntem aos 31 000 que continuavam sem energia, três semanas depois da Kristin!
Afinal, quase todos os países europeus que não são ilhas têm um nível regional e há vários mais pequenos do que nós (Bélgica, Dinamarca, Áustria, Lituânia...). E porque iriam aumentar os lugares e a despesa pública, se o número e o salário dos eleitos nos executivos das autarquias regionais podem ser iguais aos dos dirigentes das atuais CCDR? Além disso, o orçamento regional pode diminuir o desperdício que grassa entre institutos, agências, fundações, grupos de missão, empresas públicas e sei lá mais o quê do centralismo.
Quanto aos que pensam que fora da capital não há competência, ponham os olhos nos autarcas de Coimbra e Leiria. Por fim, para quem diz que um poder intermédio não faz falta, considere o atraso e descoordenação do socorro depois da depressão Kristin, ou a incapacidade do centralismo, entre leis, decretos-lei e regulamentos, de assegurar o ordenamento do território que minimize os efeitos dos desastres.
Depois da Kristin, região já não é palavra feia. É necessidade!

