O ano de 2025 foi histórico. As Seleções marcaram presença em seis finais e conquistaram cinco títulos, feito inédito na vida centenária da FPF. Um feito notável que nos enche, e ao Futebol Português, de orgulho. Mas um feito que nos traz, também, grande responsabilidade: trabalhar ainda mais para continuar a ganhar. As vitórias não nos deslumbram. Pelo contrário, exigem-nos mais.
Nesse desejo de fazer melhor, a primeira edição do Congresso do Futebol Português afirmou-se como marco incontornável. Não foi só um encontro de dois dias, mas um momento fundador que ajudará a redefinir o futuro. A participação de cerca de 800 pessoas demonstrou a força de um setor capaz de se unir, debater e construir uma visão estratégica comum. Este Congresso deixou claro que o Futebol Português tem rumo, ambição e capacidade para enfrentar os desafios que se avizinham.
Sabemos para onde queremos ir. Sabemos como vamos lá chegar. E temos toda a Comunidade do Futebol ao nosso lado!
Os números não contam a história toda, mas ajudam a compreender a dimensão da tarefa: 107 reuniões em seis meses, mais de 200 horas de trabalho, 19 Comissões constituídas e mais de 120 propostas.
Mais do que cumprir um compromisso do Plano Programático desta Direção, o Congresso do Futebol Português concretizou um desígnio há muito reivindicado por toda a Comunidade do Futebol: reunir os sócios ordinários para uma reflexão ampla e estruturada sobre o presente e o futuro.
O Fórum de Futebol, realizado a 24 de maio de 2025, marcou o início do percurso. O resultado foi um processo inédito, que evidencia o esforço coletivo, o conhecimento técnico e o sentido de responsabilidade de todos. Ficou demonstrado que o sucesso depende de um compromisso contínuo e partilhado.
Por coincidência, o Congresso do Futebol Português decorreu numa semana particularmente relevante para o Futebol Nacional. Não lhe chamarei histórica, porque os nossos clubes já nos habituaram a feitos desta dimensão. O regresso ao 6.º lugar do ranking UEFA era uma questão de tempo, fruto do mérito dos clubes e do trabalho desenvolvido desde 2023, apesar da evidente injustiça de um sistema que beneficiou os Países Baixos. Recuperado aquele que é, por direito, o nosso lugar, importa consolidar esta posição.
As conclusões do Congresso traçam-nos o caminho. Mudar os quadros competitivos nunca foi tão urgente, ainda para mais com a necessidade de defender o ranking UEFA. As alterações já comunicadas na Taça de Portugal, com meias-finais a um jogo e equipas da Liga Portugal Betclic na 4.ª eliminatória, mitigam o desgaste de um calendário sobrecarregado. Está dado o primeiro passo.
O Futebol Português goza de prestígio internacional como nunca. As oportunidades nunca foram tão apelativas. Há comboios que não param duas vezes na mesma estação e não devemos ficar de fora, enquanto outros fazem o percurso a alta velocidade. A Centralização dos Direitos Audiovisuais aproxima-se e não há conjetura mais propícia à modernidade. Não podemos desperdiçá-la.
As mudanças na Liga 3, Campeonato de Portugal e Liga Revelação vão consolidar a pirâmide do sucesso, num modelo coeso, da base até ao topo, que nos permitirá ter mais e melhores Jogadores para as nossas Seleções. E Clubes mais preparados para a elite.
Saímos do Congresso com o compromisso reforçado em várias matérias. Harmonização regulamentar, novo modelo de financiamento da FPF - esta semana já com a primeira reunião da Task-Force -, promoção do Fair Play, ligação mais forte com os Adeptos, desenvolvimento do Futebol Feminino, Futsal e Futebol de Praia, universalidade do Futebol com a implementação do Walking Football competitivo.
Vivemos um ponto de viragem no modelo de governação do Futebol Português. Teremos pela frente um futuro mais unido, sustentável e competitivo, que ficará mais fortalecido no dia 24 deste mês, altura em que se assinala o primeiro ano de mandato desta Direção, com a apresentação do Plano Estratégico da FPF para 2024-36. Que abrangerá temas tão relevantes com o Futebol Feminino, o Futsal, o Futebol de Praia ou o Plano Nacional de Arbitragem.
Neste Congresso viveu‑se um momento marcante para o Futebol. Afirmou‑se a convicção de que ninguém ficará para trás na construção de um novo ciclo, mais moderno, mais competitivo e mais coeso.
O futuro já começou - e cabe-nos, coletivamente, garantir que seja um futuro à altura da ambição do nosso Futebol.

