Como era previsível, vamos ter uma segunda volta das eleições presidenciais. Vão a essa segunda volta dois candidatos. Um que já se esperava: André Ventura. O outro um candidato imprevisto: António José Seguro. Acabou por ser Seguro a ganhar a primeira volta, apesar das hesitações no apoio do seu Partido Socialista.
Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes não conseguiram passar à segunda volta. Cotrim porque chegou a ser só uma hipótese tardia. Gouveia e Melo porque associou o seu debate com Marques Mendes a um momento trágico e que marcou a campanha de ambos como um verdadeiro duelo ao sol.
Acima de tudo, e ao contrário do que Ventura pretendeu, ele não ficou a liderar a direita e vai, assim, querer transformar a segunda volta num verdadeiro lamento que se vai concretizar no seu momento Calimero: contra tudo e contra todos.
Os resultados mostram que não conseguiu sequer fazer o pleno do Chega, o que significa que não cresceu em eleitores, ao contrário de Seguro, que extravasou o eleitorado do PS.
Foi do eleitorado da AD que saiu a maior fragmentação de votos, para Cotrim, Gouveia e Melo e Seguro. Marques Mendes só conseguiu fidelizar cerca de dez por cento do eleitorado que nas legislativas votou na coligação do Governo. Residiu aqui o primeiro equívoco desta eleição. Teria sido possível, eventualmente, encontrar um outro candidato que congregasse o eleitorado da AD, como Durão Barroso, Aguiar Branco ou, mesmo, Pedro Santana Lopes. Não foi essa a escolha do PSD e agora vamos ter de esperar pela realização da segunda volta.
Obviamente que o país moderado, e que foge de posições radicais, já percebeu que André Ventura pretende afirmar-se para ser primeiro-ministro e, por isso mesmo, vai radicalizar o seu discurso, dividindo o país em dois e virar-se contra o socialismo e a esquerda, já que não quer ser o presidente de todos os portugueses. Esquece-se é que Portugal, na atual conjuntura geopolítica, percebe que uma aventura como a que sugere não será o que se pretende agora.
A campanha da segunda volta vai ser muito dura, porque estão em causa cerca de dois milhões de votos sem dono. Homens e mulheres livres que optaram por outros candidatos, mas que, na segunda volta, sabem que têm de optar por Portugal.
Eu, na segunda volta, irei votar em António José Seguro, porque entendo que reúne as condições para saber ser o porta-voz dos portugueses junto do Governo, usando a sua magistratura de influência presidencial e não abusando de uma magistratura de interferência que pretende alterar as regras do jogo democrático e constitucional sem avisar os portugueses.
Seguro saberá ser o presidente de todos os portugueses no respeito integral pela Constituição de 1976. Cinquenta anos depois, a construção do Estado social e a defesa da democracia serão as marcas da vitória do novo presidente.

