Em tempo de jejum e abstinência, resolvi esquecer o calvário dos nossos dias e antecipar o júbilo da Ressurreição, lembrando três coisas bonitas que a vida nos trouxe esta semana. Uma ideia bonita, uma empresa bonita e gente, muita gente, bonita.
Comecemos pela ideia. Descobri-a ontem na excelente entrevista que o JN deu à estampa com o presidente da Câmara de Viana do Castelo. Em boa verdade, destacando a beleza de apenas uma ideia no meio de muitas com "pedigree" semelhante, posso correr o risco de deixar para segundo plano o que era merecedor de igual destaque, mas como diz alguém numa autopromoção da TSF com graça, "a vida é assim, temos que ter preferências".
Já quase no fim de uma entrevista oportuna e desempoeirada diz José Maria Costa, o também presidente do Eixo Atlântico, que a Região Norte precisa de um Porto liderante e que esse Porto tem faltado, por causa das guerras com Gaia, entre outras coisas, isso já digo eu.
Não posso estar mais de acordo com esta ideia. Na luta contra o centralismo, tem que ser a segunda cidade a tomar a dianteira, porque é certo e sabido que enquanto o Porto tiver razão de queixa, as outras regiões esquecidas pelo Terreiro do Paço terão sempre razões de queixa ainda maiores.
Sendo certo que é a divisão entre os desprezados que permite, ou até incentiva ou facilita, o reinado dos praticantes e militantes do centralismo.
Uma empresa bonita que fez esta semana uma festa bonita num dos rios mais bonitos de Portugal foi a Douro Azul do meu amigo Mário Ferreira. Não precisei de lá estar para sentir e me orgulhar do glamour que a comemoração dos 20 anos da sua empresa de cruzeiros no Douro emprestou à cidade no último fim de semana.
Quando outros, com maiores responsabilidades só sabem lamentar-se das maldades da crise e das desventuras do que a vida lhes traz, o empresário Mário Ferreira, que é daqueles que comeu o pão que o diabo amassou, não esteve com meias medidas. Montou uma bela tenda no cais de Gaia, produziu uma festa a sério para que convidou meio mundo (tendo até reunido debaixo do mesmo teto Rui Rio e Luís Filipe Menezes) e contratou para apadrinhar os novos barcos um conjunto de personalidades internacionais de grande relevo!
Durante dois dias, os média portuenses ficaram "sharondependentes" e por toda a cidade se esperava que a atriz de "Instinto Fatal" entrasse a todo o momento em qualquer lugar e evento. Facto a seguir ao qual todos iriam alimentar a esperança de a ver cruzar as pernas... Mas também Andie McDowell, a sua linda filha e o cantor Michael Bolton espalharam charme pela Invicta e pelas margens do Douro, por onde sempre andaram.
Muita gente bonita foi também o que o Portugal Fashion proporcionou aos milhares de convidados que encheram as salas do Edifício da Alfândega, para mais uma edição daquele que é, sem dúvida, um dos maiores e mais internacionais eventos com sede na cidade do Porto.
Enquanto a ModaLisboa, de alma gasta e ânimo em baixa, definha a olhos vistos, sendo hoje pouco mais que uma montra de vaidades de um pequeno nicho de vaidosos da capital do país, o Portugal Fashion, depois de mais uma edição em Paris, começou em Lisboa e acabou no Porto a sua versão portuguesa, com uma grande festa, onde celebrou aquela que pode ter sido a sua melhor edição de sempre, com desfiles de criadores consagrados (até por impérios internacionais como a Lacoste), marcas de renome nacional de roupa e calçado e ainda promissores jovens estilistas que o tempo irá julgar oportunamente.
Para setembro promete-se mais e melhor numa Porto Fashion Week verdadeira e completa, que ajudará o Porto a ficar ainda mais consistente na sua pele de capital internacional da moda portuguesa!
E aí, já com Chico Buarque no lugar de Bethânia, iremos dizer que "foi bonita a festa, pá!".
