Não deve haver político com tão pouco descanso após a morte como Sá Carneiro. Já não bastava terem dado seu nome a um aeroporto, depois de ter morrido na queda de uma avioneta, e todos os líderes ou aspirantes a líderes do PSD evocarem o seu legado (mesmo aqueles que da social-democracia têm apenas uma vaga ideia), agora nem os candidatos presidenciais o deixam em paz. Quase meio século após a morte de Sá Carneiro, até o almirante que se demarca dos partidos apela ao nome de um dos mais emblemáticos líderes partidários e o radical antissistema assume como modelo um símbolo do sistema democrático que tanto achincalha. Para quem anuncia a boa nova de ter recebido de Deus a missão de transformar o país, é pouco católico perturbar o eterno repouso de quem está em sossego. Abrenúncio!
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