Aquando da campanha eleitoral autárquica do Porto, o candidato do PSD e atual presidente da Câmara, Pedro Duarte, fez cavalo de batalha em torno da segunda fase do metrobus da Boavista, entre a Avenida Marechal Gomes da Costa e a Rotunda da Anémona. Lançou uma petição pública para a modificação do projeto, interpôs uma providência cautelar e chegou a afirmar que, "se tivermos de perder fundos porque estavam a ser mal aplicados e contra a vontade e o benefício da vida das pessoas, então prefiro perder os fundos" - numa referência ao facto de esta empreitada ser financiada pelo PRR.
O seu companheiro de partido Emídio Gomes, nomeado pelo Governo como presidente da Metro do Porto em 1 de outubro, decidiu, logo no dia 3, fazer uma "pausa temporária técnica" nas obras, que se tinham iniciado em 22 de setembro. Esta interrupção, que ocorreu nove dias antes das eleições autárquicas, permitiu a Pedro Duarte saudar o seu correligionário político e afirmar o desejo de "encontrar uma solução paisagística (...) que garanta espaços verdes, árvores e um transporte público suave, leve, que seja compatível com o bem-estar de todos portuenses". As obras foram retomadas no dia 3 de novembro, sem qualquer explicitação das conclusões a que se chegou durante esse período...
Entretanto, no passado dia 18, o Governo, a Câmara, a Metro e a STCP subscreveram um memorando de entendimento sobre a gestão do metrobus, onde foi anunciado que a linha entre a Rotunda da Boavista e a Praça do Império começará a funcionar em fevereiro e que, na Rotunda, as composições darão a volta à mesma pela faixa junto ao jardim. Ciclovia na segunda fase, apenas entre o Castelo do Queijo e o Parque da Cidade, deixando de existir daí para cima...
Tudo isto à revelia do Grupo de Trabalho criado na Assembleia Municipal para acompanhamento deste (e de outros) projetos! Pelo que se impõe perguntar: como vai ser o processo de circulação na Rotunda da Boavista e a sua articulação com o trânsito automóvel? Com que hidrogénio vão ser abastecidas as viaturas? Verde (produzido a partir de renováveis)? Produzido localmente ou transportado em camiões-cisterna (a gasóleo?) a partir de outros locais? A responsabilidade pela gestão do metrobus passou já para a STCP? E, em caso de falhas no funcionamento do projeto, é a STCP (ou seja, os municípios) que arca com as responsabilidades? Porque não se mantém a ciclovia pelo menos até à Fonte da Moura? Perguntas que os cidadãos fazem, que a comunicação social cala e que Pedro Duarte, tão assertivo na campanha eleitoral, esquece...
Bom Natal e um ótimo 2026 para todos os leitores!

