"E iiiiiiiiiiiisto?!" A voz da minha avó soou como mil trovões. Tinha-me escapulido de casa em mangas de camisa (por acaso ia de camisola), mas ainda estava a meio da rua quando ouvi (pudera!) a pergunta em forma de reprimenda e lá fui eu, cabisbaixo, buscar a samarra castanha que abominava.
A verdade é que o céu estava bastante carregado e a previsão era mais do que certa: "Vai chover!" Quando eu era puto, era esse o único aviso de mau tempo. E não havia dramas. Chovia? Casaco e guarda-chuva (perdi cerca de 378). Agora são necessários ponderosos avisos sempre que o clima faz umas caretas. Há alertas amarelos, laranja, vermelhos, roxos, pretos, azuis ou cor de burro quando foge. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Mas até sopa em demasia cansa. O povo também precisa de conduto. E sem aviso até sabe melhor.
Jornalista
