E dos plúmbeos cúmulos um dilúvio sobre as tágides jorrou, que em Atlântida transformou Olissipo. A chuva deixa-me deprimido e a depressão dá-me para a poesia.
Da má, entenda-se. Luís Vaz escusa de revirar-se no túmulo. Gostava de visitá-lo, mas não tenho barco para ir a Lisboa. Vejo pela televisão. É de aproveitar as horas de noticiário sobre a capital inundada. O presidente da República até despiu as vestes de comentador desportivo para lembrar que devem ser criados mecanismos de apoio aos afetados. Os desgraçados da Ribeira do Porto e de outras zonas do país fustigadas por intempéries têm de mendigar um tempinho do Poder Central para pedir uma esmola. Na capital, ainda estava tudo por limpar e já o Governo anunciava uma reunião para "avaliar a necessidade de apoios". "Cesse tu- do o que a Musa antígua canta, Que outro valor mais alto se alevanta".
*Jornalista

