
A necessidade de reinvenção de uma equipa privada dos seus dois pontas de lança fundamentais até ao fim da temporada aguça o engenho por outras soluções que terão de puxar pela imaginação do plantel, levando jogadores a saírem das suas posições para se encontrarem como alternativas numa nova versão de mobilidade da linha atacante. Daí que se perceba muito bem a importância que Francesco Farioli atribuiu ao jogo treino de ontem com o Vizela. É imperioso testar soluções, dar novos ritmos, incorporar Moffi e Fofana nas rotinas e, depois, elevar Rodrigo Mora e Pietuszewski a patamares que os farão decisivos no último terço da época. Contra o Rio Ave, o F. C. Porto que aparece experimenta-se numa transição para um novo modo de jogo mais vertical nas alas. Mas ainda é a construção pelo centro que lhe prende os movimentos, já antecipáveis pelos adversários.
Daí a inclusão de Pietuszewski a titular, o mais jovem estrangeiro a vestir o manto azul e branco. Vertiginoso, sem medo no um contra um, físico, a procurar o espaço nas costas dos adversários, com a intensidade que alguns jogos pedem e pela qual a equipa clama. Foi o polaco a descobrir Froholdt na passada, rompendo pelo lado esquerdo e decidindo com capacidade de temporização. Depois, o azar ao jogo de três bolas nos ferros, um golo milimetricamente anulado, um penálti não marcado e mais um par de oportunidades reais para construir um resultado volumoso. Ao contrário de outros resultados magros, esta foi uma margem mínima de domingo gordo de carnaval, sinal de que há mais opções para uma linha ofensiva que não pode viver sempre de margens mínimas, pese embora a enorme capacidade da defesa em ser quase inviolável. Na próxima sexta-feira, frente ao Arouca, será a antecâmara de um mês de março muito exigente onde a reinvenção terá que ser, uma vez mais, testada.
