E parece que voltámos ao início da época, aos momentos de incerteza próprios de um recomeço mas onde se sentia profundo alívio pelo regresso da normalidade. Intensidade. O F. C. Porto parecia ter perdido nervo desde o jogo com o Benfica, aparentando um cansaço que não permitia o seu jogo de recuperação e de pressão, chave-mestra do sucesso até então, percurso sempre com vitórias. Com alguma falta de rotatividade e com treinos imensamente exigentes, sentia-se como a equipa estava longe do seu melhor, sentindo-se apenas esforçada mas esgotada e pouco competitiva nos últimos dois encontros da Liga Europa, convocando sérias dúvidas sobre a real capacidade para voltar em pleno ao rolo compressor sobre o portador de bola adversário, algo que sufocava as intenções alheias e permitia fazer a diferença a cada jogo.
A primeira parte frente ao Famalicão foi um bálsamo de alívio para qualquer adepto. Num campo onde poucos passarão, a pressão alta, a intensidade, a criação de oportunidades, a disponibilidade para a troca posicional, a raça e o engenho, o sufoco do adversário. Todos disseram presente. É indiscutível que o impacto de Froholdt no jogo é determinante para que a equipa se eleve a patamares maiores. Foi mesmo o caso, tendo em conta que o dinamarquês não assina apenas um golo, assina um jogo inteiro. A liderança isolada à 11.ª jornada é mais do que merecida, tendo até em conta que o F. C. Porto, após a próxima jornada com o Estoril, já terá jogado com todas as equipas que tomam assento nos primeiros 12 classificados da Liga. Seguem-se quatro jogos em casa para quatro competições distintas. É altura do Dragão falar mais alto porque a equipa bem merece.
*Adepto do F. C. Porto
**O autor escreve segundo a antiga ortografia

